Eleição presidencial: por que Portugal tem dois líderes, e o que faz o presidente português?

  • 18/01/2026
(Foto: Reprodução)
Portugal vai às urnas para escolher novo presidente em disputa acirrada Os portugueses foram às urnas neste domingo (18) para escolher quem será o próximo presidente, em um pleito que ocorre menos de um ano depois de eleições que definiram o primeiro-ministro do país. Em um arranjo pouco comum, o Poder Executivo de Portugal é dividido entre essas duas figuras, por conta do sistema político do país, o semipresidencialismo, que determina a existência dos dois cargos. E o presidente português, embora fique afastado do cotidiano do governo, é quem tem o poder de tomar grandes decisões para a política do país. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Entenda, abaixo, por que há dois chefes no comando, e o que faz cada um: 👉 O primeiro-ministro de Portugal é o chefe de governo. Ou seja, é ele quem administra o dia a dia do país, monta a equipe ministerial, envia projetos ao Legislativo e dialoga com governos locais, além de tomar decisões como o envio de tropas ou missões militares em outros países. 👉 Já o presidente, em Portugal, não participa do cotidiano do Executivo e exerce uma função mais cerimonial e menos política, mas ganha peso em momentos críticos no país: O presidente é também o chefe de Estado — uma função que, em monarquias, é exercida pelo rei ou rainha. Isso que quer dizer que o presidente português é o responsável máximo pelas Forças Armadas, capaz, portanto, de mobilizar ou desmobilizar tropas; Embora não se envolva diretamente nas matérias do governo, o presidente português é também uma espécie de fiscal do governo vigente, e tem o poder de destituí-lo caso julgue que o Executivo não está cumprindo com uma função; Neste caso, cabe também ao presidente dissolver o Parlamento e convocar novas eleições — o atual presidente, o centrista Marcelo Rebelo de Sousa, fez isso três vezes ao longo de seus quase dez anos de mandato; É também o presidente quem nomeia o primeiro-ministro, após o Parlamento apontar o candidato que tem o apoio da maioria da Casa; Também tem o poder de vetar leis que considere inconstitucionais ou prejudiciais ao país. No âmbito cerimonial, cabe ao presidente receber líderes mundiais e fazer visitas de Estado em eventos específicos ou datas comemorativas — Rebelo de Sousa esteve no Brasil pelo menos nove vezes durante seu mandato. Marcelo Rebelo de Sousa em 24 de abril de 2023. Rodrigo Antunes/Reuters Um levantamento da Universidade de Oxford estima que cerca de 50 países adotem o mesmo modelo. Na Europa, França, Polônia e Rússia são semipresidencialistas, mas cada um com suas particularidades — no sistema francês, por exemplo, o presidente tem mais peso político. Em Portugal, a estrutura foi consolidada após a Revolução dos Cravos, em 1974, para evitar a concentração de poder e garantir uma espécie de controle mútuo entre líderes soberanos. Eleição fragmentada Portugal realizou neste domingo a eleição presidencial mais fragmentada de sua história recente — três partidos concorreram em quase empate, e, ao longo da corrida eleitoral, cinco das 11 siglas que concorrem chegaram a ficar empatadas. Além disso, pesquisas apontaram que mais de um terço dos cerca de 11 milhões de portugueses convocados a votar estava indeciso. Proibido pela Constituição de concorrer a um terceiro turno, Marcelo Rebelo de Sousa convocou o novo pleito, o que gerou uma corrida sem precedentes para o posto: onze partidos estão na briga, e cinco deles chegaram a ficar empatados em pesquisas. Agora, pela primeira vez, três partidos, e não dois, disputam o cargo em grau de igualdade. Isso porque o Chega, sigla da extrema direita, se tornou nas últimas eleições a segunda força política de Portugal. Uma pesquisa de intenção de voto feita pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (CESOP), da Universidade Católica do país, indicava o seguinte cenário antes do pleito: André Ventura, líder do Chega, lidera a corrida eleitoral por uma pequena margem, com 24% das intenções de voto; Em segundo lugar, está o socialista António José Seguro, com 23%; João Cotrim de Figueiredo, deputado do Parlamento Europeu do partido de centro-direita Iniciativa Liberal, aparece com 19% das intenções de voto; Luis Marques Mendes, da coligação de centro-direita Partido Social-Democrata (PSD)/ Aliança Democrática (AD) — que tradicionalmente disputava a presidência com os socialistas — aparece apenas na 4ª posição, com 14% dos votos. Isso é um reflexo da instabilidade política que Portugal vive nos últimos anos, segundo disse à agência de notícias Reuters o cientista político António Costa Pinto. "A fragmentação do eleitorado continua, tornando provável que os candidatos dos dois partidos tradicionais recebam menos votos do que os seus partidos obtiveram nas eleições parlamentares do ano passado (em que o Chega ultrapassou os Socialistas)", disse o professor. Candidato pelo Chega, da extrema direita, André Ventura bebe vinho durante campanha presidencial, em 9 de janeiro de 2026. Pedro Nunes/ Reuters Segundo turno Freira vota em eleições presidenciais de Portugal, em 18 de janeiro de 2026. Pedro Nunes/ Reuters Caso nenhum candidato obtenha mais de 50% dos votos, um segundo turno está previsto para 8 de fevereiro. Se isso ocorrer, será a primeira vez em 40 anos que um pleito presidencial em Portugal não será resolvido no primeiro turno. Embora o líder do Chega lidere as últimas sondagens, pesquisas apontam também que ele tem a taxa de rejeição de 60% dos eleitores, a mais alta entre os candidatos. A porcentagem sugere que ele pode perder um eventual segundo turno contra qualquer um dos outros três favoritos, segundo disse à Reuters o professor de Ciências Políticas da Universidade Católica de Lisboa José Castello Branco. "É uma corrida (eleitoral) completamente aberta", disse Castello Branco, que acha, no entanto, que chegar ao segundo turno já será uma "vitória" para Ventura, dando ao Chega maior poder de negociação com o governo minoritário de centro-direita. Veja os vídeos que estão em alta no g1 ​

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/01/18/por-que-portugal-tem-dois-lideres-e-o-que-faz-o-presidente-portugues.ghtml


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