Veja frases dos ministros do STF na sessão sobre mensagens de Vorcaro e Moraes

  • 15/09/2026
(Foto: Reprodução)
Sessão plenária extraordinária do STF - 15/09/2026 Rosinei Coutinho/STF O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) se reúne nesta terça-feira (15) em sessão extraordinária para analisar o relatório da Polícia Federal sobre as mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. LEIA TAMBÉM: Do Banco Master ao plenário do STF: entenda o histórico da crise e o que esperar do julgamento sobre Moraes Veja as principais declarações dos ministros: Presidente do STF, ministro Edson Fachin: 'Não se julgam pessoas, mas fatos e questões jurídicas', diz Fachin em sessão Moraes-Vorcaro "Não se julgam pessoas, julgam-se fatos e questões jurídicas. Não se antecipa o mérito antes de resolvida a validade processual. A divergência legítima, o confronto pessoal e a decisão pertencem ao Plenário, não a um ministro individualmente". "Esse não é um dia comum. Somos seres humanos, podemos errar, podemos divergir, podemos mudar de entendimento, podemos ter percepções distintas sobre os mesmos fatos e sobre o direito". "A divergência faz parte da jurisdição, o que não pode fazer parte dela é a perda da medida institucional". 'A divergência é legitima, o confronto pessoal, não. A decisão cabe ao plenário', diz Fachin "Não temos o direito de entregar às gerações futuras o Supremo Tribunal Federal menor do que aquele que recebemos. Isso não significa ausência de divergência, ao contrário. O Supremo existe para que posições jurídicas diferentes possam ser apresentadas, debatidas e submetidas ao julgamento do colegiado. O respeito institucional, mesmo quando há discordância, a consideração pelo colega, mesmo quando não há convergência, há limites que não decorrem da amizade ou da afinidade pessoal, mas da própria função que exercemos". "Esta instituição não nos pertence. Nós a recebemos do passado. Temos o dever de preservá-la no presente. E haveremos de entregá-la ao futuro. A instituição permanecerá se soubermos, nesse momento, estar à altura da responsabilidade". "O que se mostra submetido ao Plenário não é nesse momento qualquer juízo acerca de possível responsabilidade penal de autoridade investigada. Tampouco antecipação de conclusão sobre o valor probatório dos elementos corrigidos mesmo porque qualquer juízo desta natureza compete ao Ministério Público como titular privativo da ação penal pública nos termos do inciso primeiro do artigo 129 da Constituição da República". 'Não temos o direito de entregar um STF menor do que aquele que recebemos', diz Fachin Após a sessão ser retomada: “Como estou na condição de relator desta PET 16.662, me permito, desde logo, me manifestar no sentido de manter, não apenas a separação entre os julgamentos da PET, portanto, votam no sentido de prosseguir o julgamento de hoje, bem como não levar a efeito a pensionamento dos feitos mencionados e, por via de consequência, prejudicada a redistribuição na forma regimental.” “O objetivo da questão de ordem é de todo o meritório, cabendo, nada obstante, que esta providência seja adotada sem a suspensão desse julgamento e sem o apensamento dos feitos mencionados.” Fachin vota para manter casos Moraes e Mendonça separados Ministro Kassio Nunes Marques: "Queria fazer um esclarecimento, um registro em relação ao que Vossa Excelência comentou. Nunca me utilizei da tribuna do Supremo para fazer esclarecimento, mas eu acho que hoje o dia relevante e a gravidade das circunstâncias merecem, tem relação a mensagens que circulam de ontem, de hoje, e que sempre vão rondar a autoridade no Brasil". "Eu nunca julguei nenhum processo relacionado ao Master. Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco. É fato. Porque o sigilo bancário já foi quebrado, não adianta se especular de outra forma, porque se o sigilo já foi quebrado contra fatos não existem argumentos". Nunes Marques nega que filho tenha prestado serviço ao Master "Entendo que eu tenho uma missão que me foi conferida pela Constituição brasileira e até agora está sendo assegurada por Deus e que para mim, sem absolutamente nenhum menor cabo da relevância desse julgamento ou mesmo do caso do Master. Eu entendo que essa missão é mais importante, assegurar o equilíbrio nas eleições de 2026 e que estamos apenas há 19 dias. Eu tenho feito um esforço enorme e isso é de fácil constatação. O Tribunal Superior Eleitoral tem se mantido, em que pese uma ou outra crítica, mas eu estou convicto disso, se mantido absolutamente equidistante de preferências partidárias de membros de assessores de todos aqueles que rondam o processo eleitoral. Posso até estar errado, mas eu reputo que o TSE está indo muito bem. Eu não tenho dúvida de que em que pese os debates vão fluir que esse julgamento eventualmente pode também impactar no cenário político eleitoral. Então, na condição de presidente do TSE eu não me sinto confortável para participar desse julgamento e afirmo o meu impedimento". Nunes Marques se declara impedido de votar em julgamento sobre Moraes Ministro Dias Toffoli: "É de conhecimento de todos que, no dia 9 de fevereiro de 2026, estava sob minha relatoria o caso do Banco Master. E digo novamente: sem nunca ter recebido, até aquele momento, qualquer documentação vinda da Polícia Federal. Nenhuma. Determinei todas as diligências que foram pedidas pela Procuradoria-Geral da República e também aquelas que vieram da Polícia Federal, cujos materiais já estavam sob minha custódia e no meu gabinete". "Embora não tenha sido formalmente acolhida nenhuma arguição de suspeição, muito pelo contrário. Quando os julgamentos começaram a ocorrer na Segunda Turma, já sob a relatoria do ministro sorteado André Mendonça, senti-me também na obrigação de preservar a Corte e declarei minha suspeição por motivo de foro íntimo. Não impedimento, mas suspeição por motivo de foro íntimo." "E não me retirarei, porque tenho o direito de acompanhar a sessão e permanecer aqui acompanhando a sessão. Também, se necessário, farei uso da palavra". Dias Toffoli se declara suspeito de votar em julgamento sobre Moraes Ministro Gilmar Mendes: "Imparcial é aquele que não é parte, que não adere aos interesses de qualquer dos envolvidos no processo. Só assim se pode falar em processo, seja penal, civil, fiscal etc". "No processo penal, contudo, tal premissa adquire contornos ainda mais relevantes. Por imposição da presunção de inocência, o julgador deve adotar posição de desconfiança em relação à acusação. Somente se houver comprovação além de qualquer dúvida razoável é que se autoriza o sancionamento". "O modelo acusatório determina, em sua essência, a separação das funções de acusar, julgar e defender. Assim, tem como escopo fundamental a efetivação da imparcialidade do juiz, visto que esta é claramente violada em um cenário de julgamento inquisitivo". Ministro Flávio Dino: "A norma como referência. E é isso que distingue o juiz do justiceiro, o julgamento da chacina. Veja, a essas alturas, alguém pensando apenas com uma chave que não é jurídica diria o seguinte: ou é chacina, ou é impunidade. Não. A nossa missão é exatamente mostrar que existe um caminho civilizado, sem o qual não existe atividade estatal legítima". "Nenhum tribunal do país nenhum, não é só no Supremo, um presidente pode destituir um relator. Porque se o fizer presidente, veja a responsabilidade de quem enverga toca. Eu conheço todos os lados". "Se nós admitirmos a vocatória, esse tribunal vai abrir uma avenida de corrupção, uma avenida de comércio nos tribunais". 'Aqui não é lugar de quem busca aplausos', diz Dino sobre o Supremo "Imagine presidente Se Vossa Excelência é um homem probo, repito. Mas se nós admitirmos a vocatória. Nós vamos abrir, quem sabe. a estas alturas com tanta corrupção. Aliás, eu nunca vi tanta corrupção no sistema de justiça do Brasil. Quero dizer que é o momento mais corrupto da história do Poder Judiciário no Brasil. E com a autoridade que exerce a judicatura desde 1994". Após a sessão ser retomada: "Para minha surpresa, surpresa e indignação, presidente, li agora na hora do almoço de que os Estados Unidos vão restabelecer sanções a ministro do STF por conta desse julgamento aqui [...] Eu, presidente, reputo isso como de enorme de gravidade jurídica constitucional. Isso aqui é o Tribunal Supremo de um país soberano e, portanto, esse ambiente de pressão, e ilegítima, deve constituir alvo da indignação, não do tribunal, mas de todos os brasileiros por uma razão, assentada nos paradigmas das relações diplomáticas entre as nações soberanas, que é um princípio da reciprocidade." "Ora, se um órgão técnico se submete a maiorias ocasionais ou a órgãos de poder, seja o poder público, seja poder privado, ele não serve para nada. Ele é tão descartável como a alusão bíblica que se segue ao sermão da montanha, em que Jesus Cristo fala do sal que perdeu o sabor." “Quando se quebra a institucionalidade em nome dos fins legítimos, nós estamos quebrando ao só tempo o papel do direito e a natureza da judicialidade.” “Porque a judicialidade pressupõe que não é a lei do mais forte. Não é a lei de quem grita mais, é a lei posta pelos órgãos legítimos.” “Nós temos no Brasil, portanto, esse combate seletivo à corrupção. É uma marca brasileira. Corrupção de alguns gera mais comoção do que a corrupção de outros. E essa seletividade, ela é deletéria ao país, como a história mostra.” “Nós temos aqui nesse tribunal [...] processos zumbi. Processos que vagueiam por aqui, por este tribunal, sem que ninguém saiba como sepultá-los.” “Eu ingressei na magistratura por concurso público, em 1994. Os corruptos do Poder Judiciário eram conhecidos pelo nome e iam nos dedos da mão. Hoje, mesmo que junte aqui as mãos de todos que aqui estamos nesse Plenário, não vai caber.” "E nós estamos agora neste momento, em que nós temos um pedido do ministro André para investigar o ministro Alexandre, e nós temos um pedido, autorização para investigar, e um pedido do ministro Alexandre pedindo autorização para investigar o ministro André. E daqui a pouco, hoje, amanhã, nós vamos ter pedidos de outros tantos colegas na mesma situação. Qual o rito? O ministro André vai votar num pedido de investigação que ele próprio fez para o ministro Alexandre? Vossa excelência não sabe a resposta, nem eu". “Por isso eu acredito que nós devemos dar um rito que seja baseado na lei. Um rito coerente.” “E por isso eu considero que o encaminhamento contido na questão de ordem do ministro Gilmar é aquela que preserva melhor o nosso papel de provedores de Justiça e de segurança jurídica. (...) E essas são as razões pelas quais eu adiro formalmente falando às ponderações e à questão de ordem do ministro Gilmar Mendes. É como voto.” Dino questiona 'falta de clareza' ao falar de sessões separadas de Moraes e Mendonça Dino x Fachin Flávio Dino: "Ministro Fachin, se vossa excelência, com todo respeito, não tomar uma providência, eu vou pedir vista. É impossível, ministro Fachin... Ministro Fachin, por favor. O poder de polícia desta sessão compete a vossa excelência." Edson Fachin: "É verdade. Ministro André..." Flávio Dino: "Nós estamos em termos que degradam a imagem do Tribunal." André Mendonça: "Eu estou sendo agredido." Flávio Dino: "E se são nesses termos." Edson Fachin: "Eu sei, já pedi... Estou tentando acalmar." Flávio Dino: "Não, ministro. Vossa excelência está assistindo a isso há horas. Há horas. Vossa excelência está assistindo a isso há horas e está transformando no Supremo, nas próximas semanas, quiçá meses, neste debate. Se vossa excelência vai assistir a isso, eu não vou. Porque eu sou funcionário público deste país e tenho respeito a ele. A condução de vossa excelência está conduzindo a que este debate, que a vossa excelência acabou de assistir, se prorrogue por meses. Edson Fachin: "Ministro Flávio, vossa excelência é testemunha de que eu tenho conduzido na medida do possível e acabei..." Flávio Dino: "Esta situação que está posta deriva da condução de vossa excelência." Edson Fachin: "É a conclusão de vossa excelência." Flávio Dino: "E eu estou informando a vossa excelência que vossa excelência está conduzindo ao Supremo para ficar deste modo, degradante do ponto de vista técnico-ético, por meses. Apenas faço essa lembrança patriótica a vossa excelência. E fraterna." Edson Fachin: "É a conclusão de vossa excelência." Dino diverge de relator e vota para juntar processos de Moraes e Mendonça Dino x Fachin, Fux e Mendonça Flávio Dino: "Eu tenho responsabilidade com este país e, a 15 dias de uma eleição, o Tribunal se expor a isto sem ponto final. Acho que vossa excelência não se deu conta disso: porque vossa excelência, além de marcar essa sessão, desastrada, ainda marcou outra na próxima semana. E, nas próximas semanas, vossa excelência está condenada a marcar dezenas de sessões iguais a esta." Edson Fachin: "E por quê, ministro Flávio?" Flávio Dino: "Presidente, as mensagens do ministro Fux, as mensagens do ministro Kássio, as mensagens relativas ao ministro André, nós vamos parar onde? Eu imaginava que vossa excelência tinha pensado nisso." André Mendonça: "Que mensagem, ministro? Pode ter alguém falando de mim, comigo? Não." Luiz Fux: "Ministro Dino, pela ordem, mensagem comigo não tem!" Flávio Dino: "Tem!" Luiz Fux: "Não tem, não, senhor." Flávio Dino: "Tem, ministro Fux." Luiz Fux: "Nunca vi esse cidadão na minha vida, nunca tive relação com ele. Não tem. Vossa excelência não lance... Só se vossa excelência está se baseando nesses inquéritos que surgem do nada. Não tem!" Flávio Dino: "Vossa excelência terá que esclarecer isto no momento próprio." Dino critica condução de Fachin no STF: 'clima é daí para pior' Ministro Luiz Fux: "Não tem que amarrar ninguém para fazer isso. Tem que ter responsabilidade judicial. Ninguém pode permitir que fique um órgão trabalhando com Corte, Supremo Tribunal Federal, peitando o Supremo. Foi isso que aconteceu. Foi essa a preocupação que nós tivemos. Nós temos hoje uma PF paralela com monitoramento de ministros". "A Polícia Federal tem o nosso maior respeito. Quando ela age dentro das suas funções, ela auxilia o Poder Judiciário e não prejudica". Não tem mensagem comigo, diz Fux em bate-boca com Dino Ministro Alexandre de Moraes: "Não há como julgar hoje sem julgar terça, porque eu pergunto: quem tem medo da Polícia Federal, presidente? Quem tem medo da polícia? uem tem medo da Polícia Federal? Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que a Polícia Federal colocasse um colega na colaboração premiada? E vamos trazer aqui, presidente, vamos trazer aqui e chamar aqui testemunhas que eu vou indicar, não só policiais, advogados, testemunhas. Eu tenho testemunhas". André Mendonça: "Isso é mentira". Moraes: "Então vamos chamar testemunha. Vamos chamar". André Mendonça: "Mentira". Moraes: "Vamos chamar. Pode chamar, que não vai... Não há como julgar hoje sem julgar terça-feira". André Mendonça: "Presidente, eu não vou responder. É isso, o meu momento de..." Moraes: "Mas, presidente, mas... mas... não tem nenhum documento apócrifo. Todos sabem o que é o relatório de inteligência. Os relatórios de inteligência estavam registrados lá. É só pegar o registro. Quem fez". 'Quem tem medo da Polícia Federal?', questiona Moraes Após a sessão ser retomada: “Consta pedido de investigação feito pela Polícia Federal? Não. Consta pedido de investigação feito pelo Ministério Público, pela Procuradoria-Geral da República? Não. Consta [pedido] de investigação feito pelo ministro André Mendonça? Ele mesmo poderá responder: não.” “O pedido final é de [...] nulidade e extinção da PET. Nulidade e extinção da PET, que, ao invés de extinção da PET, poderia estar arquivamento da PET. É isso que nós temos a deliberar, presidente.” “Não existe pedido de investigação, salvo se a presidência, ao assumir a relatoria, está fazendo um pedido de ofício, que obviamente não existe [...] e jamais Vossa Excelência o fez. Isso é muito importante.” “Como não havia nenhum pedido de investigação dos órgãos competentes para tal, Polícia Federal ou a Procuradoria-Geral da República, o que se fez foi [prestar] informações, porque a sessão foi convocada para analisar no dia 15 a PET. E a PET [tem] só uma questão a ser analisada, só um pedido na PET: nulidade da investigação ilícita [...] e um pedido de extinção da PET.” “Presidente, não há e eu peço que encarecidamente para que Vossa Excelência reflita isso. Não há razão para que a instrução e o julgamento não sejam conjuntos. As alegações são como Vossa Excelência, disse. Bases fáticas e probatórias comuns se sobrepõem porque uma anula a outra. Uma afasta a outra. Então, como não analisar em conjunto." "Presidente, os debates demonstram cada vez mais a conexão e a necessidade de tudo ser devidamente apurado em conjunto." "Não há, no celular apreendido, nenhuma mensagem."" 'Não há pedido para abrir uma investigação criminal', diz Moraes 'Versões e interpretações cada um tem a sua', diz Moraes; 'Estou vendo', diz Mendonça Ministro Gilmar Mendes: "Eu confesso que fui apresentado a relatório de Inteligência recentemente, mas é preciso dizer isso com toda a clareza. Não quero constranger ninguém". "De um lado, 100 páginas produzidas de ofício à margem da competência do Plenário e sem oitiva do titular da ação penal para reunir referências a um ministro; de outros elementos que vem a público a mesas que dizem respeito ao outro ministro constam de dados oficiais do Coaf e que aparecem com o nome e sobrenome no aparelho do principal investigado da operação, sem que se tenha visto o mesmo rigor ou qualquer tipo de impulso de ofício". "Até as pedras sabem que há um inequívoco viés político eleitoral na forma como o tema foi conduzido nos altos desta peça 16662. Com toda a sinceridade". Gilmar x Mendonça Mendonça: "O senhor está sendo leviano, ministro, leviano". Gilmar Mendes: "Isto não se faz. Pessoas decentes não fazem isso". Mendonça: "Não aponte o dedo para mim Ministro Gilmar não aponte o dedo não está falando com qualquer um. Respeite esse tribunal". Gilmar Mendes: "Quem não se dá respeito não merece respeito". Gilmar fala em 'vexame' e 'gravidade' sobre ministro do STF afastar diretor da PF "Quando um único integrante do tribunal reúne, de ofício, sob sigilo oponível aos seus pares, elementos que julga serem capazes de abalar a honra e a posição de outros ministros, e opta por não submetê-los ao órgão a quem competiria conhecê-los, como ocorreu neste caso, o que se produz não é apenas uma investigação irregular. Produz-se uma assimetria institucional. Quem detém sozinho aquilo que pode alcançar outros integrantes do colegiado passa a exercer sobre eles algum tipo de ascendência. 'Eu protejo você.' É uma relação de máfia. Isso não se faz. Não é um ambiente de pessoas dignas. Desculpe a sinceridade, presidente, mas as coisas precisam ser chamadas pelo nome". "Não se pode submeter um colega, mesmo que esteja eventualmente envolvido, mesmo que tenha um filho envolvido, a esse tipo de vexame. É uma atitude covarde". "Já disse isso em outro momento: até a máfia tem ética". 'Quem é o vazador geral da República?', questiona Gilmar Mendes "Mas a deliberação do tribunal sobre matéria de tamanha gravidade, quer dizer, não pode ocorrer nos termos ditados por alguém que tem desprezado qualquer senso de colegialidade, muito menos em pleno ciclo eleitoral. E o interesse é evidente, acachapante, extravagante, evidente que se trata de um pixuleco, de um boneco eleitoral. É disso que nós estamos falando". 'Pode chorar', diz Gilmar a Mendonça Ministro Cristiano Zanin: “Senhor Presidente, para não ser repetitivo, eu vou adiantar [...] que eu estou acompanhando o eminente ministro Gilmar Mendes na questão de ordem trazida e faço apenas algumas anotações complementares.” “Como se viu aqui ao longo dos debates, temos aqui muitas dúvidas e perplexidades. Talvez essa questão de ordem e seu desdobramento possa permitir também que elas sejam superadas, até para que tenhamos uma análise, eu diria, dentro do devido processo legal, como bem enfatizou o ministro Flávio Dino.” “Se existe essa possibilidade, hipoteticamente, e ela foi colocada por Vossa Excelência, [...] julgar ou analisar aqui o início, uma autorização de investigação sem saber se a suspeição será ou não reconhecida seria uma inversão lógica dos atos processuais.” (...) "Até porque o reconhecimento da suspeição, como sabemos, ela poderá também ter consequências jurídicas.” Zanin vota para juntar processos de Moraes e Mendonça Ministro André Mendonça: "Se essa fala é dirigida a um dos advogados, essa fala é estritamente normal. 'Ó, veja se o pessoal da PF aí não faz sacanagem'. Ou alguém da sua relação, não é uma fala ilícita. Então, eu peço informações em função disso. Como tinha possível referência ao Procurador-Geral [da República], fiz referência ao artigo 5º, inciso 1, não por conta de ministro do Tribunal. Eu fiz referência porque nós tínhamos uma situação onde a competência para se avaliar conduta de ministro do Supremo e de procurador-geral da República também são o plenário do Tribunal. E assim peço as informações" "Não ponha palavras na minha boca". "O fato de, ali [lei sobre juiz das garantias], estar previsto que deve-se respeitar o modelo acusatório, isso não impede o juiz de fazer solicitações ou pedir diligências." "'Uma comunicação isolada pode ser enganosa e exigir contexto'. Era isso que se precisava: qual o contexto dessa conversa? Quem é o interlocutor? É um advogado, um terceiro? Eu mesmo fui surpreendido no curso dessas questões com um advogado, entre aspas, vendendo influência, porque eu tinha ido comprar um terno. Tive que apresentar nota fiscal." "Aquilo que eu imaginava que seria em relação às pessoas que tinham ali a identificação, vem, aí, uma documentação mais farta de que nós precisamos analisar e, de fato, eu não fiz juízo de valor, eu encaminhei e deveria encaminhar, e por isso entendo que nós estamos aqui para analisar esta questão." "Foi adotado um procedimento com base nos precedentes e em uma situação, de fato, que não tinha nos documentos e em nenhum documento específico, uma referência expressa ao ministro Alexandre." "Só dizer que quem faz a análise preliminar das questões que estão nos processos são a assessoria. O ministro não tem tempo de ficar analisando. Ninguém foi buscar a informação, nós temos os documentos e temos os autos e temos que analisar os autos." Gilmar Mendes tem fala rebatida por André Mendonça: 'Não ponha palavras na minha boca' Mendonça x Gilmar Gilmar Mendes: "É impressionante, presidente, que uma pessoa da estatura do Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isto, sim, é leviandade. O sujeito investido de um sentimento policialesco, junto com os seus delegados. É impressionante. É impressionante a desfaçatez deste sujeito [em referência a Mendonça]." André Mendonça: "Desfaçatez de vossa excelência. Me respeite!" Gilmar Mendes: "Pode chorar!" André Mendonça: "Não estou chorando, não. Aqui não tem choro, não. Respeite." Gilmar interrompe Mendonça e fala em leviandade: 'É impressionante a desfaçatez' Ministra Carmén Lúcia "Estou nessa sessão, como talvez muitos de meus colegas, em estado de profunda consternação e tristeza. Hoje um dos colegas me dizia se eu estava aborrecida com alguma coisa, eu disse que eu estou triste, não apenas pelo tema que nos traz aqui, que teria sido aquele a ser decidido, mas porque este Supremo Tribunal Federal, guarda da Constituição por determinação nela expressa, provocou um mal-estar cívico em todas as cidadãs e cidadãos brasileiros nos últimos dias." "Eu me sinto um pouco até envergonhada, presidente, de, no momento em que o Brasil está a menos de 20 dias da eleição, estarem todos voltados a questões do Supremo." "Nós não garantimos o rigor e a serenidade que, no meu papel de cidadã e de juíza, eu deveria ter, talvez, ajudado mais a promover. O poder Judiciário existe para tranquilizar o povo, e nós geramos intranquilidade." "Eu dizia que eu bebi da lição de Clarice Lispector: 'eu não me perdi, mas eu experimentei a perdição'. Porque, neste sentido de que o povo brasileiro deveria estar preocupado, ocupado, focado em ver qual é a eleição geral, qual é o seu destino, o que eles querem, o único assunto que eu via nos lugares em que eu entrava, era sempre o que estava acontecendo aqui e não era um quadro bonito." "Se eu fui omissa, já disse isso ao ministro Alexandre, já disse isso ao ministro André e estou repetindo a vossa excelência: se eu, como juíza desta casa, devesse ter me conduzido, talvez, com uma postura diferente para poder ter ajudado mais para evitar isso, eu estou pedindo desculpas a vossa excelência, pedindo desculpas a todos os colegas por não ter ajudado a que a gente superasse tudo isso de uma maneira... E eu peço desculpas ao povo brasileiro por talvez ter esperado de mim uma postura diferente." "Acho que houve uma espetacularização destes casos, desta sessão, mesmo, que não faz mal apenas ao Supremo, ao Judiciário, mas faz mal ao país." 'Peço desculpas ao povo brasileiro', diz Carmén Lúcia sobre crise no STF 'Era muita vista quando dizem que a justiça é cega', diz Cármen a Dino Procurador-Geral da República, Paulo Gonet: "O Procurador-Geral da República só pode ser investigado depois da autorização do órgão próprio, do Ministério Público Federal" "Fico feliz que o ministro André Mendonça tenha reconhecido que não havia nada, no que foi colhido, que pudesse induzir a alguma prática de ilícito por parte do Procurador-Geral da República." "Não existe, nem tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro que eu tive com o senhor Vorcaro se deu com várias autoridades em abril de 2024. A única ligação, intermediada por advogado, foi brevíssima e banal." "Quem analisa o fato, sem viés, verá que o Ministério Público, no exercício do papel de titular da ação penal, foi preciso e foi correto." Sessão plenária extraordinária do STF - 15/09/2026 Rosinei Coutinho/STF

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/09/15/falas-ministros-stf.ghtml


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