Trump zomba das defesas da Groenlândia e diz que EUA a obterão 'de um jeito ou de outro'
12/01/2026
(Foto: Reprodução) Europa prepara plano para caso de invasão dos EUA à Groenlândia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a fazer ameaças de anexação da Groenlândia ao dizer que os EUA a obterão de um "jeito ou de outro". Em fala a repórteres a bordo do Air Force One no domingo à noite (11), Trump também zombou das capacidades defensivas da ilha do Ártico.
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"Se não tomarmos a Groenlândia, a Rússia ou a China o farão, e não vou deixar isso acontecer. Eu gostaria de fazer um acordo com eles, é mais fácil. Mas a teremos de um jeito ou de outro. (...) A Groenlândia deve fazer um acordo [com os EUA], porque eles não querem ver a Rússia ou a China dominar. (...) E sabe qual a defesa da Groenlândia? Basicamente dois trenós puxados por cachorros", afirmou Trump.
Trenós puxados por cachorros são típicos de regiões cobertas por gelo e são um importante modo de locomoção, não de defesa militar, como Trump sugeriu.
Como pertence à Dinamarca, a Groenlândia não tem Forças Armadas autônomas e sua defesa é gerenciada por Copenhague com foco na vigilância marítima. Forças dinamarquesas presentes na ilha incluem patrulheiros classe Thetis, aeronaves Challenger 604. Há uma base norte-americana em Pituffik, que conta com 650 militares dos EUA e radares antimísseis.
A fala de Trump se soma às diversas ameaças e sugestões de que ele irá anexar a Groenlândia, que pertence à Dinamarca. O presidente norte-americano sugeriu na semana passada que estaria disposto a sacrificar a Otan, da qual os EUA e a Dinamarca fazem parte, para que a ilha do Ártico se torne parte dos EUA. (Leia mais abaixo)
Diante das ameaças de Trump, a Europa corre contra o tempo e prepara, desde semana passada, um plano para o caso do presidente norte-americano de fato ordenar uma invasão militar à Groenlândia.
A agência de notícias Bloomberg revelou também que a Otan está discutindo planos para reforçar sua presença militar na Groenlândia para fazer frente à investida da Casa Branca. Essa iniciativa está sendo liderada pelo Reino Unido e pela Alemanha.
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O presidente dos EUA, Donald Trump, em discurso para republicanos da câmara dos EUA
Kevin Lamarque/Reuters
Trump disse na semana passada ao jornal norte-americano "The New York Times" que quer integrar a Groenlândia aos EUA mesmo que isso coloque em risco a existência da Otan e que "não precisa" do direito internacional.
A fala de Trump é mais um capítulo da sua investida para controlar a ilha do Ártico, que pertence à Dinamarca, e escala ainda mais as tensões com a Europa. O presidente norte-americano quer adquirir a Groenlândia "porque é isso que eu sinto ser psicologicamente necessário para o sucesso", disse ao "New York Times".
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou nesta semana que um ataque dos EUA à Groenlândia significaria o fim da Aliança Militar do Atlântico Norte —formada após a Guerra Fria e fundamental para a defesa europeia. Especialistas avaliam que a investida de Trump já está impactando a coesão da Otan.
A Europa, inclusive, está preparando um plano de ação para caso Trump materialize suas ameaças de tomar a Groenlândia. Ainda não se sabe detalhes do plano, além de que ele inclui a França e a Alemanha —faz sentido que a Dinamarca, por ser responsável pela ilha, esteja envolvida.
A Casa Branca afirmou nesta semana que Trump quer comprar a Groenlândia, mas que não descarta o uso da força militar caso julgue necessário. Segundo a agência de notícias Reuters, o governo Trump está considerando oferecer até US$ 100 mil (cerca de R$ 540 mil) para cada habitante da Groenlândia que apoie a anexação da ilha pelos EUA. (Leia mais abaixo)
Trump também afirmou ao jornal norte-americano acreditar que seus poderes como presidente dos EUA "se limitam apenas à sua própria moralidade" e que ele "não precisa" do direito internacional.
Essa fala de Trump descartando o direito internacional, regulamentado por instituições multilaterais como a ONU e que rege o mundo pós-2ª Guerra Mundial, encaixa com a interpretação de uma nova ordem mundial que, segundo especialistas ouvidos pelo g1, está se formando. Nessa nova ordem, bipolar com EUA e China à frente, essas potências econômicas têm demonstrado a intenção de expandir seus territórios por meio de ações concretas.
Trump quer comprar Groenlândia, diz Casa Branca
Donald Trump Jr. chegou há poucos dias a Nuuk, na Groenlândia
Emil Stach/Ritzau Scanpix/via REUTERS
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considera fazer uma oferta para comprar a Groenlândia, informou a Casa Branca nesta quarta-feira (7). A iniciativa ocorre apesar de a população da ilha afirmar que o território não está à venda.
Trump também se recusa a descartar o uso da força para assumir o controle da ilha, considerada estratégica no Ártico. As declarações causaram reação negativa na Dinamarca e em outros aliados europeus dos Estados Unidos.
Após pedido da Dinamarca, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que vai se reunir na próxima semana com representantes do país.
“Nada sobre a Groenlândia sem a Groenlândia. Vamos participar. Pedimos uma reunião”, afirmou a ministra Vivian Motzfeldt à TV pública local.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Trump discute “ativamente” com a equipe a possibilidade de compra da Groenlândia, que tem área aproximada à do Alasca, maior estado americano.
Segundo ela, o presidente avalia que a medida serviria para conter a influência da Rússia e da China no Ártico. Leavitt afirmou que a opção preferencial de Trump é a diplomacia, mas não descartou o uso da força.
O presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Mike Johnson, disse não ter conhecimento de planos de envio de tropas à Groenlândia. Segundo ele, não há discussões sobre ação militar, e o foco estaria em canais diplomáticos.
Johnson afirmou, no entanto, que não foi informado previamente sobre o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro. Desde então, Trump fez ameaças de intervenção em Cuba, Groenlândia, Irã, México e Colômbia.
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