Trump confunde Groenlândia com Islândia durante discurso em Davos

  • 21/01/2026
(Foto: Reprodução)
Em Davos, Trump diz que 'ninguém pode defender Groenlândia como os EUA' A Groenlândia, território dinamarquês que o governo americano do presidente Donald Trump almeja anexar aos EUA, foi um dos temas centrais do discurso do republicano no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, nesta quarta-feira (21). Isso não impediu, no entanto, que o republicano confundisse a Groenlândia com a vizinha Islândia por pelo menos três vezes durante sua fala. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A confusão ocorreu num momento em que Trump falava da Otan, aliança militar do Ocidente que inclui EUA e uma série de países europeus, incluindo a Dinamarca. Ele reclamou da suposta falta de apoio da entidade aos interesses americanos. "Estou ajudando a Europa, estou ajudando a Otan e, até alguns dias atrás, quando lhes falei sobre a Islândia, eles me adoravam", disse Trump. "O problema com a OTAN é que estaremos lá por eles, 100%, mas não tenho certeza se eles estarão lá por nós. Eles não estão lá por nós em relação à Islândia, disso eu tenho certeza. Nossa bolsa de valores sofreu a primeira queda ontem por causa da Islândia. Então, a Islândia já nos custou muito dinheiro." A Islândia, embora tenha sido uma colônia dinamarquesa até 1944, é um país independente. Ela é uma ilha muito menor, separada por um estreito de 290 km da Groenlândia. Os discursos de Trump são notórios pela recusa do presidente dos EUA em seguir roteiros e teleprompters, bem como seus constantes improvisos. Uso da força descartado Em seu discurso, Trump insistiu na proposta de comprar a Groenlândia, aumentou o tom das ameaças contra a Europa e a Otan e disse que apenas os EUA conseguirão defender o território, pertencente à Dinamarca. Ante ameaças de uma ação militar na Groenlândia, no entanto, Trump disse que não fará o "uso da força" para tomar o território, mas ameaçou retaliações à Otan. "Eu não preciso usar a força. Eu não quero usar a força. Eu não usarei a força. Tudo o que os Estados Unidos estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia", discursou Trump. "Nós nunca pedimos nada mais (...). Vocês podem dizer sim, e nós apreciaremos muito, ou vocês podem dizer não e nós lembraremos que uma América forte e segura significa uma Otan forte". Após o discurso, o governo da Dinamarca reiterou que não há negociações em curso para a venda do território. Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursa no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, em 21 de janeiro de 2026. REUTERS/Denis Balibouse 'Pedaço de gelo' Em meio a tensões com líderes europeus (leia mais abaixo), Trump voltou a subir o tom no discurso: chamou a Dinamarca de "ingrata" e disse que "a Europa não está indo na direção correta". Na insistência de que os EUA têm de ficar com a Groenlândia — a que ele se referiu várias vezes no discurso como "um pedaço de gelo" —, Trump chegou a dizer que o território, na verdade, deveria ter ficado com os EUA desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando tropas norte-americanas ocuparam a ilha durante a Segunda Guerra Mundial, para protegê-la de tropas alemãs. "Colocamos bases militares na Groenlândia para defendê-la e salvá-la. Fortificamos a Dinamarca. Impedimos que os inimigos (alemães, durante a 2ª Guerra Mundial) conquistassem a Groenlândia. Demos a Groenlândia de volta para a Dinamarca, que ideia estúpida. E olha o quão ingratos eles são agora", disse. "Tenho respeito tremendo pelas pessoas da Groenlândia e da Dinamarca, mas acredito que nenhum outro país consegue manter a segurança da Groenlândia a não ser os Estados Unidos. A Groenlândia está sem defesa em uma localização estratégica". Embora líderes da UE, da Dinamarca e da Groenlândia já tenham afirmado que não venderão o território, Trump afirmou que foi a Davos "buscar negociações para adquirir a Groenlândia". No entanto, questionado mais tarde pela TV Globo sobre um plano para isso, o norte-americano disse que "não há plano". "Não há nenhum plano, precisamos da Groenlândia para a paz internacional. A Dinamarca ficará muito mais segura se fizermos o que temos que fazer com a Cúpula Dourada. Se não fizerem nada, nunca haverá segurança internacional", disse Trump. Após o discurso, o governo da Dinamarca também disse que não há negociações em curso para a venda do território. No discurso, ele também descartou ser ele próprio uma ameaça à Otan, a aliança militar ocidental da qual os EUA e países europeus fazem parte. "Isso (a anexação da Groenlândia) não seria uma ameaça à Otan, fortaleceria a segurança da aliança". Trump disse que estava falando, em Davos, "a amigos e alguns inimigos", em referência à batalha diplomática que vem travando com líderes europeus (leia mais abaixo). No discurso, norte-americano também reivindicou um bom momento na economia de seu país. "As pessoas (nos Estados Unidos) estão felizes comigo", disse. ➡️ Os EUA mantêm atualmente uma base militar na Groenlândia e têm um acordo com a Dinamarca desde 1951 para mobilizar a quantidade de tropas e equipamentos que achar necessário. No entanto, o governo norte-americano vinha reduzindo sua presença militar nas últimas décadas. NÃO FOI BEM ASSIM: Trump diz que EUA foram 'estúpidos' por 'devolver' Groenlândia após 2ª Guerra ESTUPIDEZ, INGRATIDÃO, PEDAÇO DE GELO: veja o que Trump falou sobre a Groenlândia e a Otan em Davos Tensão com europeus Presidente da França, Emmanuel Macron, aparece vestindo óculos escuros em discurso no Fórum Econômico de Davos em 20 de janeiro de 2026. REUTERS/Denis Balibouse Depois de Trump dizer, na segunda-feira (19), que "não há mais volta" em seu plano de tomar a Groenlândia — território da Dinamarca no Ártico —, líderes europeus dosaram o discurso que vinham adotando e também subiram o tom. O presidente francês, Emmanuel Macron, que vem liderando a resistência europeia às investidas de Trump, solicitou nesta quarta um exercício da Otan na Groenlândia, segundo seu gabinete. Na segunda, Macron já havia feito discurso desafiador a Trump (leia mais abaixo). Também nesta quarta, a presidente da Comissão Europeia — o braço executivo da UE —, Ursula von der Leyen, disse que o continente está "preparado para agir": "A Europa prefere o diálogo, mas estamos totalmente preparados para agir, se necessário". Nesta manhã, falando em Davos, o presidente finlandês disse que a Europa não precisa dos Estados Unidos para garantir sua defesa. O mesmo discurso fez o secretário-geral da Otan, Mark Rutte; Também nesta manhã, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse que a União Europeia “está pronta para se defender, defender nossos Estados-membros, nossos cidadãos e nossas empresas, contra qualquer forma de coerção"; Já a Dinamarca, segundo a rede de TV local TV2, considera o envio de até 1.000 soldados para a Groenlândia em 2026. Embora venham demonstrando uma postura comum frente às ameaças de Trump, líderes europeus se reunirão na quinta-feira (22) em uma cúpula de emergência para alinhar a resposta em defesa à Groenlândia. Até políticos da extrema direita europeia, tradicionalmente apoiadores de Donald Trump, começaram a criticar a postura do norte-americano. O francês Jordan Bardella, líder do Reunião Nacional, herdeiro político de Marine Le Pen, pediu na terça-feira que a Europa reaja e não seja submissa aos Estados Unidos, durante discurso no Parlamento francês. "Quando um presidente dos EUA ameaça um território europeu usando pressão comercial, isso não é diálogo — é coerção. E nossa credibilidade está em jogo", discursou. "A escolha é simples: submissão ou soberania". 'BAZUCA COMERCIAL', BULLYING, GROENLÂNDIA: embate entre Trump e Macron expõe racha na aliança entre EUA e Europa

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/01/21/trump-confunde-groenlandia-com-islandia-durante-discurso-em-davos.ghtml


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