'Se o que se pensa fosse crime, a maioria das pessoas teria de ser detida', diz Zema sobre condenados por atos golpistas de 8 de Janeiro
11/08/2026
(Foto: Reprodução) Candidato a presidente Romeu Zema (Novo)
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O candidato à Presidência da República pelo Novo e ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, comentou, em entrevista ao canal "MyNews", sobre indulto aos envolvidos no 8 de janeiro. Para ele, planejar um crime não equivale a cometer um crime e, por isso, mensagens que indicariam premeditação de ataques contra autoridades não deveriam ser tratadas com o mesmo peso de uma ação consumada.
"Uma coisa é executar, outra coisa é idealizar, às vezes é pensar sobre algo", afirmou Zema, ao ser questionado sobre o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de que a preparação premeditada de um crime pode ser julgada com a mesma gravidade de um crime consumado.
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Segundo o candidato, mensagens que indicariam plano de atentado contra o presidente Lula (PT), o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e ministros da Corte "servem como um alerta", mas não seriam suficientes para caracterizar crime, já que não teriam sido levadas adiante.
"Me parece que há aí um excesso. Para mim vale o que aconteceu e não aquilo que talvez se idealizou, se pensou. Porque, se for para ser crime o que se pensa, eu acho que a maioria das pessoas teria de ser detida. Se um dia inventarem uma máquina de ler pensamentos, tem muita gente que em determinados momentos de raiva de alteração, vai querer agredir outro", comenta.
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Zema recorreu ao instituto penal da atenuante por "violenta emoção" para sustentar que planejar algo em um momento de descontrole é diferente de executá-lo. O candidato também questionou a isenção do STF para julgar o caso, citando a presença de ex-advogados e ex-ministros supostamente ligados ao PT na composição da Corte, além do envolvimento de ministros, na visão dele, no escândalo do Banco Master.
Além de ministros indicados por Lula, o tribunal teve juízes indicados pelos ex-ministros Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Michel Temer (MDB), Jair Bolsonaro (PL) e Dilma Rousseff (PT).
Sobre os atos de 8 de janeiro, Zema os classificou como "baderna" e vandalismo passíveis de punição, mas negou que as ações tenham configurado tentativa de golpe de Estado. Segundo ele, uma tentativa de golpe historicamente envolveria "violência de forças, disparos e sangue".
"Vou dar o indulto ao Bolsonaro sim, darei um indulto a ele e quero que os julgamentos feitos que, na minha opinião, tiveram caráter político, sejam todos refeitos com mais isenção. Nós temos um Supremo hoje que está lá muito mais para perseguir opositores do que para julgar", aponta.
Nova reforma da Previdência
Na economia, classificou os juros altos como "um tumor do tamanho de uma melancia" e prometeu, como prioridade de um eventual governo, corte de despesas, reforma administrativa e uma nova reforma da Previdência para reduzir a taxa de juros dos atuais patamares para cerca de 6% ao ano.
"Uma nova reforma previdenciária vai ser necessária. Nós estamos vivendo mais. Eu acho que nós temos de agradecer a Deus, e vamos ter de contribuir alguns meses a mais. É uma reforma impopular, mas não adianta ficar escondendo aqui não. Quem está falando que vai chegar e só fazer coisas boas está enganando o povo e eu não estou aqui para enganar", disse o ex-governador.
2% nas pesquisas eleitorais
Questionado sobre o desempenho dele nas pesquisas eleitorais, Zema minimizou o resultado, argumentando que o eleitor "ainda não está no modo eleição" e que cenários costumam mudar nas últimas semanas de campanha, como ocorreu, segundo ele, em 2018. O candidato aparece com 2% das intenções de voto na pesquisa Quaest publicada em 5 de agosto.
Zema foi questionado sobre a possibilidade de desistir da disputa presidencial para concorrer ao Senado. Descartou a hipótese e disse não ter votação para trabalhar no Legislativo.
Gestão em Minas Gerais e privatizações
Zema defendeu o histórico dele à frente do governo mineiro, citando a valorização nas ações da Cemig e da Copasa desde a eleição dele, a reversão de um déficit de R$ 11 bilhões em 2018 e a criação de mais de 1 milhão de empregos formais no período.
Questionado sobre a venda de 118 estatais mineiras, afirmou pretender promover privatizações também na esfera federal, caso eleito presidente, mas fez questão de separar esse plano de áreas como educação, saúde e segurança pública, que classificou como "função do Estado".
Sobre a tragédia da barragem de Brumadinho, ocorrida em 2019, Zema detalhou mudanças na legislação sobre segurança de barragens e o uso de multas bilionárias aplicadas à mineradora responsável em obras de infraestrutura para Minas e Espírito Santo.