Rússia, China e União Europeia criticam EUA e Irã pelo bloqueio do Estreito de Ormuz
13/04/2026
(Foto: Reprodução) Presidente Donald Trump anuncia bloqueio militar total no Estreito de Ormuz
A Rússia, a China e a União Europeia se pronunciaram contra o fechamento do Estreito de Ormuz nesta segunda-feira (13).
Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que promoverá um bloqueio militar da rota a partir das 11h - no horário de Brasília - e o Irã fazer ameaças de retaliação, os dois países e o bloco europeu afirmaram que o impasse irá prejudicar todo o comércio mundial.
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EUA dizem que bloqueio naval ao estreito de Ormuz começará em poucas horas e preço do petróleo dispara novamente
A China se pronunciou através do Ministério das Relações Exteriores e disse que o bloqueio de Ormuz "não atende aos interesses da comunidade internacional".
"A China espera que as partes envolvidas respeitem os acordos de cessar-fogo temporário, permaneçam comprometidas com a resolução das disputas por meios políticos e diplomáticos e evitem a retomada das hostilidades", afirmou o porta-voz da pasta, Guo Jiakun, em uma coletiva.
A Rússia criticou o anúncio de Trump, afirmando que isso prejudica os mercados e restringe ainda mais a oferta global de petróleo, mas ponderou que muitos aspectos da proposta ainda "não estão claros".
Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o restabelecimento da liberdade de navegação no Estreito de Ormuz é de "fundamental" importância e que não pode haver estabilidade no Oriente Médio enquanto o Líbano continuar sendo bombardeado.
"O fechamento contínuo do Estreito de Ormuz é extremamente prejudicial. A restauração da liberdade de navegação é de suma importância para nós", defendeu.
O Reino Unido e a França coorganizarão esta semana negociações com aliados para debater uma possível missão naval estritamente defensiva com o objetivo de restaurar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz.
Embarcação no Estreito de Ormuz, ao largo da costa da província de Musandam, Omã, 12 de abril de 2026.
Reuters
O bloqueio de Ormuz
O Exército do Irã ameaçou nesta segunda-feira (13) retaliar contra portos nos Golfos Pérsico e do Omã caso tenha a segurança de seus portos ameaçada por um bloqueio naval dos Estados Unidos.
O bloqueio do Exército norte-americano está marcado para começar às 11h desta segunda, no horário de Brasília. O regime iraniano, que bloqueia o trânsito no Estreito de Ormuz há mais de um mês, também chamou de "ilegal" a ação dos EUA.
“A segurança no Golfo Pérsico e no Mar de Omã é ou para todos ou para NINGUÉM. Se a segurança dos portos da República Islâmica do Irã nessas águas for ameaçada, nenhum porto na região estará seguro. (...) A imposição de restrições pelos 'EUA criminosos' ao tráfego marítimo em águas internacionais é uma ação ilegal e um exemplo de pirataria”, afirmou o Exército iraniano em comunicado divulgado pela emissora estatal Irib.
O Comando Central do Exército dos EUA afirmou em comunicado que todos os navios saindo ou chegando a portos iranianos serão bloqueados, assim como embarcações que tenham pago pedágio ao Irã —algo que o presidente Donald Trump chamou de "ilegal".
Ainda segundo a pasta norte-americana, os militares apenas deixarão passar pelo Estreito de Ormuz navios que não sejam ligados ao Irã ou que não tenham portos iranianos como origem ou destino.
Antes do bloqueio entrar em vigor, dois petroleiros ligados ao Irã deixaram o Golfo Pérsico, segundo dados de navegação da Kpler e da LSEG.
O navio-tanque Aurora está carregado com produtos petrolíferos iranianos, enquanto o navio-tanque New Future transporta diesel proveniente do porto de Hamriyah, nos Emirados Árabes Unidos, segundo dados da Kpler.
O bloqueio naval norte-americano em Ormuz representa uma nova escalada na guerra entre EUA, Israel e Irã, além de uma nova ameaça ao cessar-fogo no conflito. O movimento aumenta as chances de incidentes e, consequentemente, da retomada dos combates.