Quem é Ciro Nogueira, senador que está entre os alvos da nova fase da operação Compliance Zero
07/05/2026
(Foto: Reprodução) Ciro Nogueira é alvo de nova operação da PF
O senador Ciro Nogueira é um dos alvos da nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras ligadas ao Banco Master e deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (7). Presidente nacional do Progressistas (PP), ele foi ministro-chefe da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro.
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A decisão do ministro André Mendonça que autorizou medidas cautelares contra o senador Ciro Nogueira aponta que a Polícia Federal identificou indícios de que o parlamentar teria atuado em favor de interesses do Banco Master em troca de vantagens indevidas.
O g1 entrou em contato com o senador, mas ainda não obteve resposta.
Nascido em Teresina, Ciro Nogueira é advogado, empresário e filho do ex-deputado federal Ciro Nogueira Lima. Formado em Direito pela PUC do Rio de Janeiro, iniciou a trajetória política na Câmara dos Deputados antes de chegar ao Senado, onde exerce o segundo mandato pelo Piauí.
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Montagem/g1
Ao longo da carreira, consolidou-se como uma das principais lideranças do Centrão, bloco político conhecido pela articulação e negociação no Congresso Nacional. A atuação o levou a ocupar postos estratégicos e a participar de articulações com diferentes governos.
Em 2021, foi escolhido por Jair Bolsonaro para comandar a Casa Civil, pasta responsável pela coordenação política e administrativa do governo federal. A nomeação ampliou sua projeção nacional e fortaleceu sua influência nas negociações entre Executivo e Legislativo.
No Senado, participa de comissões importantes como a de Assuntos Econômicos (CAE) e a de Constituição e Justiça (CCJ).
Por que Ciro Nogueira é alvo
Segundo a decisão que autorizou as buscas, do ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo, o senador é apontado como o "destinatário central das vantagens indevidas" e como o agente público que teria instrumentalizado seu mandato em favor dos interesses de Daniel Vorcaro.
“A Polícia Federal aponta a identificação da suposta conduta do senador Ciro Nogueira Lima Filho em favor do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, em troca do recebimento de vantagens econômicas indevidas”, diz o texto da decisão do ministro.
A decisão afirma que uma das suspeitas envolve a apresentação da Emenda nº 11 à PEC 65/2023, que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.
De acordo com o ministro, a PF sustenta que o texto da proposta foi elaborado por integrantes do Banco Master e entregue ao senador. “O senador apresentou a Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023 com conteúdo produzido no âmbito do Banco Master”, escreveu Mendonça.
➡️A proposta em questão tem como objetivo alterar a Constituição Federal para estabelecer um novo regime jurídico para o BC, garantindo autonomia técnica, operacional, administrativa, orçamentária e financeira do órgão.
A decisão também cita mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro nas quais ele teria afirmado que a proposta “saiu exatamente como mandei”.
Segundo a investigação, minutas de outros projetos de interesse do grupo também teriam circulado pela residência do senador antes de serem encaminhadas ao gabinete parlamentar.
A PF afirma ainda que houve preocupação em ocultar a origem dos documentos. A decisão cita orientação para que “o envelope utilizado não faça referência ao Banco Master”.
O ministro também menciona suspeitas de vantagens financeiras recebidas pelo senador. Entre os pontos listados estão:
pagamentos mensais;
aquisição de participação societária com deságio milionário,
custeio de viagens internacionais;
uso de imóvel de alto padrão.
Em um dos trechos da decisão, Mendonça afirma que os elementos reunidos indicam “o estabelecimento de um arranjo funcional e instrumentalmente orientado para obtenção de benefícios mútuos”.
O documento cita transferências mensais que, segundo a PF, variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. A decisão reproduz mensagens atribuídas a investigados sobre os repasses.
“Cara eu no meio dessa guerra atrasou dois meses ciro?”, diz uma das mensagens reproduzidas no documento.
Em outra conversa, um investigado pergunta: “Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”.
Ao justificar as medidas cautelares, o ministro afirmou que há risco de interferência na investigação devido à influência política do senador.
Segundo a decisão, a “capacidade de articulação política e institucional” de Ciro Nogueira confere “potencial elevado de influência sobre o curso da investigação”.
Mendonça determinou que o senador fique proibido de manter contato com outros investigados e testemunhas da Operação Compliance Zero. Na decisão, o ministro afirma que a medida é “necessária, adequada e suficiente” para preservar a apuração.
Entenda a operação
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (7) uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master.
O presidente do Partido Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI), está entre os alvos, segundo informações obtidas pela TV Globo. A PF cumpre mandados de busca e apreensão no endereço dele em Brasília, nesta manhã.
Ciro Nogueira, senador do Progressistas pelo Piauí
Ascom Ciro Nogueira
Ao todo, policiais federais cumprem 10 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.
Segundo informações do blog da Camila Bomfim, no g1, o alvo de prisão é o primo de Daniel Vorcaro, Felipe Cançado Vorcaro. Ele foi preso na manhã desta quinta-feira em Minas Gerais.
A operação foi autorizada pelo relator do caso no STF, ministro André Mendonça. A decisão judicial também autorizou o bloqueio de bens, direitos e valores estimados em R$ 18,85 milhões.
- Esta reportagem está em atualização.