Professor morre após pegadinha feita por alunos nos EUA; adolescente é acusado de homicídio
10/03/2026
(Foto: Reprodução) Flores enfeitam uma cerca em frente à North Hall High School em Gainesville, Geórgia.
AP/Emilie Megnien
O que começou como uma pegadinha terminou em tragédia, segundo autoridades dos Estados Unidos. Um grupo de adolescentes espalhou rolos de papel higiênico em frente à casa de um professor do ensino médio, que acabou tropeçando na rua e foi atropelado por uma caminhonete quando os jovens começavam a ir embora.
O professor Jason Hughes, de 40 anos, morreu após ser levado a um hospital na noite de sexta-feira (6), informou o gabinete do xerife do Hall County.
O motorista da caminhonete, o adolescente Jayden Ryan Wallace, de 18 anos, foi preso e acusado de homicídio culposo com veículo, um crime grave. Outros quatro adolescentes foram acusados de delitos menores.
A família de Hughes afirmou que ele conhecia e gostava dos cinco estudantes envolvidos e pediu às autoridades que retirem todas as acusações.
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“Esta é uma tragédia terrível, e nossa família está determinada a evitar que outra tragédia aconteça, destruindo a vida desses estudantes”, disse a família em comunicado enviado à Associated Press na segunda-feira. “Isso iria contra a dedicação de toda a vida de Jason em investir no futuro dessas crianças.”
Hughes dava aulas de matemática e ajudava a treinar as equipes de golfe, futebol americano e beisebol da North Hall High School, em Gainesville, cidade a cerca de 88 quilômetros a nordeste de Atlanta.
Um vizinho do professor, Ty Talley, disse que a pegadinha fazia parte de uma tradição em que alunos da escola fazem brincadeiras com professores durante a temporada de baile de formatura.
“Não havia nada malicioso”, afirmou Talley. “É apenas uma brincadeira que estudantes fazem com professores e entre si. Eu mesmo fiz isso quando era jovem.”
Um dia antes da morte de Hughes, o sistema escolar do condado publicou um aviso pedindo aos estudantes que evitassem pegadinhas durante o período do baile que causassem danos a propriedades. O comunicado alertava para “consequências sérias que podem surgir de comportamentos destrutivos”.
Estudantes e colegas de trabalho deixaram um memorial improvisado com flores em uma cerca em frente à escola.
O treinador de futebol americano da escola, Sean Pender, disse que Hughes ajudava atletas com os estudos e também era um homem de fé profunda, que liderava um estudo bíblico semanal para outros treinadores.
“O que tornava Jason especial era a forma como ele fazia isso”, escreveu Pender em uma rede social. “Ele nunca julgava. Nunca forçava nada a ninguém. Ele simplesmente sabia amar as pessoas. Encontrava cada um onde estava, ajudava a se levantar e lembrava que todos importam.”
Segundo o gabinete do xerife, os adolescentes chegaram em dois veículos à casa de Hughes por volta das 23h40 de sexta-feira e começaram a cobrir as árvores do quintal com papel higiênico.
Quando os jovens começaram a ir embora, Hughes saiu de casa.
Enquanto um dos adolescentes dirigia a caminhonete para deixar o local, “Hughes tropeçou e caiu na rua e acabou sendo atropelado”, informou o gabinete do xerife.
Após o acidente, os adolescentes pararam e tentaram prestar socorro até a chegada das equipes de emergência.
As autoridades acusaram Wallace de homicídio culposo com veículo em primeiro grau — crime que pode levar a uma pena de três a 15 anos de prisão pela legislação da Geórgia. Ele também responde por direção imprudente, um delito menor.
Um repórter da Associated Press bateu à porta da casa do adolescente na segunda-feira (9), mas ninguém atendeu. O caso ainda não aparecia nos registros judiciais online, e não se sabe se ele já tem advogado.
Os outros quatro adolescentes foram acusados de invasão de propriedade e descarte de lixo em propriedade privada, também crimes menores, informou o gabinete do xerife.
A decisão final sobre se os jovens serão processados — e de que forma — cabe ao promotor do condado, Lee Darragh.
“Não vou comentar esse caso no momento”, disse Darragh à Associated Press por telefone na segunda-feira. “Ainda não tenho informações suficientes para isso.”