PF e PGR rejeitaram conteúdo prévio de delação de Vorcaro e cobraram mais informações para avançar com acordo
06/05/2026
(Foto: Reprodução) A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliaram que uma tentativa prévia de delação do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, era insuficiente e cobraram mais informações do investigado para que ele formalizasse a proposta de delação.
Em resposta a esse pedido, anexos com o conteúdo da delação foram apresentados nesta terça-feira (5) pela defesa de Vorcaro e serão analisados nas próximas semanas (entenda mais abaixo).
Segundo o blog da jornalista Andreia Sadi, esse material foi entregue em um pen drive e o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, foi avisado da entrega.
A defesa de Vorcaro participou nesta segunda (4) de uma reunião rápida com a PGR e PF. Os advogados entregaram um arquivo com a descrição sumária dos anexos, que são os termos da delação separados por conteúdo.
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Os termos de delação premiada são descrições feitas pelo investigado que pretende fechar o acordo de colaboração.
Agora, os investigadores vão analisar o conteúdo para responder algumas perguntas:
Há inovação no conteúdo?
Se tem inovação, o candidato a fechar o acordo de colaboração consegue apresentar elementos de provas?
As autoridades acreditam que esta análise vai levar um tempo porque policiais ainda analisam celulares de Daniel Vorcaro (leia mais abaixo).
Nada pode ser usado se o termo não for assinado. Vorcaro está preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
Imagem de Daniel Vorcaro na prisão.
Reprodução
Proposta preliminar
A proposta preliminar de delação, por sua vez, foi apresentada há cerca de duas semanas. O conteúdo foi considerado fraco tanto pelos policiais federais quanto pelos procuradores que atuam na investigação.
A avaliação é que o que foi apresentado previamente não trazia novidades em relação ao que já foi investigado ao longo do inquérito da "Operação Compliance Zero" — que culminou na primeira prisão de Vorcaro — com situações e diálogos que já eram de conhecimento dos investigadores.
Segundo fontes a par das investigações, Vorcaro não mencionou nomes que estariam no topo da hierarquia da organização e cujo envolvimento já teria sido identificado pelos investigadores. A PF e a PGR fizeram apontamentos diversos.
Resposta aos investigadores
A entrega dos anexos, agora, é uma resposta a essa cobrança dos investigadores.
🔎A recusa ao conteúdo inicialmente proposto pela parte investigada é algo comum no processo de delação.
Os investigadores afirmam que vão precisar de tempo para analisar o conteúdo dos termos da delação, após a formalização.
Nesse cenário, não há negociação de delação premiada com a defesa do pastor Fabiano Zettel, braço-direito do banqueiro.
Avaliação de interlocutores ligados à negociação é de que a intenção do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, de também fechar um acordo acelerou o processo da defesa de Vorcaro.
Análise dos celulares
De acordo com investigadores, a análise de todos os celulares de Vorcaro ainda não foi concluída. Ao todo, a PF apreendeu oito celulares do banqueiro. A extração de dados é feita em Brasília, São Paulo e Minas Gerais.
A avaliação é que o mais importante está no celular principal, que já foi periciado. Esse continha algo em torno de 400 gigabites e 8 mil vídeos de conteúdo.
Os outros celulares periciados posteriormente, utilizados por Vorcaro enquanto ele já estava em prisão domiciliar, no fim do ano passado, ainda segundo interlocutores, não agregaram elementos importantes para a investigação.
A perícia tenta extrair ainda o conteúdo de um dos aparelhos.
A análise completa dos dados é considerada peça fundamental para confrontar os termos que serão apresentados por Vorcaro na tentativa de fechar o acordo. Interlocutores da negociação afirmam que conteúdo terá que ser contundente para a delação ser efetiva.
No mês passado, a Polícia Federal ampliou a equipe responsável pela análise do material apreendido com o banqueiro Daniel Vorcaro. Novos delegados, peritos, agentes e escrivães foram convocados para reforçar a investigação.