Petróleo despenca e fica abaixo de US$ 100, após Trump pausar ataques ao Irã; bolsas sobem
23/03/2026
(Foto: Reprodução) Trump dá ultimato para o regime dos aiatolás reabrir o estreito de Ormuz.
Os preços do petróleo despencaram mais de 10% e fecharam abaixo dos US$ 100 nesta segunda-feira (23), após novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O presidente americano anunciou uma trégua de cinco dias com o Irã. Em publicação na rede Truth Social, afirmou que representantes dos dois países tiveram "conversas muito boas e produtivas" no fim de semana e que ordenou o adiamento de qualquer ataque à infraestrutura energética iraniana.
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Mas a agência iraniana Fars, ligada à Guarda Revolucionária, afirmou que não há conversas em andamento entre autoridades de Teerã e dos Estados Unidos.
O barril do petróleo tipo Brent, referência global, recuou 11,12%, cotado a US$ 99,72 o barril perto das 17h30 (horário de Brasília). Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, caiu 9,70%, a US$ 88,70.
Na Europa, a maioria das bolsas da região fecharam em alta, assim como nos EUA. Entre os principais índices europeus, o francês CAC 40 subiu 0,79%, enquanto o alemão DAX teve um avanço de 1,22% e o madrilenho Ibex 35 fechou com ganhos de 1,04%.
Já em Wall Street, tanto o Dow Jones quanto o Nasdaq Composite encerraram com alta de 1,38%, enquanto o S&P 500 avançou 1,15%.
A exceção ficou com as bolsas da Ásia, que fecharam em queda. O índice Nikkei, de Tóquio, caiu 3,47%, enquanto o Kospi, de Seul, recuou 6,5%, pressionado pelas importações de petróleo. Hong Kong caiu 3,5%, Xangai perdeu 3,6% e Sydney recuou 0,7%.
Haverá uma pausa?
O conflito no Oriente Médio, iniciado após ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, provocou forte oscilação nos mercados globais, especialmente no petróleo após o conflito se espalhar por mais países.
Em uma demonstração que a guerra já possui várias frentes, enquanto Trump anunciou uma pausa, o Exército de Israel informou que realizou uma série de "ataques a alvos do regime iraniano no coração de Teerã", em comunicado divulgado nas redes sociais às 8h59 (horário de Brasília).
Em seguida, a agência iraniana Tasnim, citando uma fonte oficial sob anonimato, afirmou que o Estreito de Ormuz não voltará às condições anteriores ao conflito e que os mercados de energia devem seguir instáveis.
No fim de semana, inclusive, a Guarda Revolucionária do Irã ameaçou fechar "completamente" o Estreito de Ormuz e atacar usinas de energia de Israel e instalações que abastecem bases americanas na região do Golfo.
A ameaça foi uma resposta a Trump, que no sábado (21) disse que poderia “obliterar” usinas de energia do Irã caso Teerã não reabrisse totalmente o Estreito de Ormuz em até 48 horas. O prazo terminaria por volta das 19h44 (horário de Brasília) desta segunda-feira.
"Se o Irã não ABRIR TOTALMENTE, SEM AMEAÇAS, o Estreito de Ormuz, dentro de 48 horas a partir deste momento exato, os Estados Unidos atacarão e aniquilarão suas numerosas USINAS DE ENERGIA", ameaçou Trump em uma mensagem na rede Truth Social, indicando que atacará primeiro a maior delas.
Um ataque às instalações energéticas iranianas seria considerado uma escalada significativa na guerra que os dois países travam há mais de três semanas.
Acompanhe a cobertura do conflito.
Trump anuncia trégua de 5 dias em ataques à infraestrutura energética do Irã, que nega diálogo
Bombas de extração de petróleo, Irã, Oriente Médio
Reuters