Parlamento Europeu deve congelar acordo comercial com EUA em retaliação às ameaças de Trump
20/01/2026
(Foto: Reprodução) O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 14 de janeiro de 2026
REUTERS/Evelyn Hockstein
O Parlamento Europeu deve congelar o acordo comercial firmado entre a União Europeia e os Estados Unidos no ano passado, indicaram líderes parlamentares europeus nesta terça-feira (20).
Segundo a presidente do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu (Grupo S&D), Iratxe García Pérez, os grupos políticos da Casa estão em “consenso” sobre a medida, que seria uma resposta às recentes ameaças do presidente americano, Donald Trump, relacionadas à anexação da Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca.
A expectativa é que a suspensão do tratado seja formalizada na quarta-feira (21).
(CORREÇÃO: O g1 errou ao informar que o Parlamento Europeu congelou o acordo comercial com os EUA. Na verdade, legisladores informaram que houve um acordo na Casa para a realização da votação formal, prevista para esta quarta-feira (21). A informação foi corrigida às 15h20 de 20 de janeiro de 2026.)
Nesta semana, Trump anunciou que pretende aplicar uma tarifa de 10% contra oito países europeus caso se oponham ao plano dos EUA de comprar a ilha.
"A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos Estados Unidos da América. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%", disse o presidente em uma publicação no Truth Social.
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Também nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, classificou a estratégia americana como “chantagem” e afirmou que ameaças tarifárias estão sendo usadas para forçar “concessões injustificáveis”.
Barrot declarou apoio à suspensão do acordo e disse, ainda, que a Comissão Europeia dispõe de “instrumentos muito poderosos” para responder às ações de Washington.
Pelo tratado firmado em julho do ano passado, os EUA impuseram tarifas de 15% à maioria dos produtos europeus, enquanto a União Europeia concordou em retirar parte de suas taxas sobre importações americanas.
O acordo, no entanto, só começaria a vigorar entre março e abril deste ano, após a aprovação formal do Parlamento Europeu e dos governos do bloco.
Com a suspensão do acordo, a UE volta a colocar na mesa uma possível imposição de tarifas retaliatórias aos EUA — que chegariam ao montante de 93 bilhões de euros (cerca de R$ 580 bilhões) — e uma possível restrição do acesso de empresas americanas ao bloco europeu.
Nesta terça-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou no Fórum Econômico Mundial, em Davos, que a soberania da Groenlândia é “inegociável” e alertou que eventuais tarifas ou pressões entre EUA e UE seriam um erro estratégico.
Por que Trump quer adquirir a Groenlândia?
Nas últimas semanas, o presidente americano intensificou as iniciativas para anexar a Groenlândia.
Isso porque, além de a ilha do Ártico ser considerada uma rota marítima estratégica para o comércio global e a exploração de matérias-primas críticas, Trump também a considera crucial para a construção do chamado Domo de Ouro — escudo antimísseis que ele deseja erguer para proteger os EUA.
"Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo. A Otan deveria liderar o processo para que a conquistemos. Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão, e isso não vai acontecer!", escreveu o republicano em uma publicação nas suas redes sociais na semana passada.
Em resposta às declarações de Trump, países europeus anunciaram o reforço da segurança na região, incluindo o envio de pequenos contingentes militares à ilha, a pedido do governo da Dinamarca.
Em comunicado conjunto, Dinamarca, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia e Holanda afirmaram estar comprometidos com a defesa da Groenlândia e com o fortalecimento da segurança do Ártico no âmbito da Otan.
O governo da Groenlândia agradeceu publicamente o apoio europeu.
A crise também provocou protestos populares. Milhares de pessoas foram às ruas da Groenlândia e de Copenhague no sábado para criticar a intenção de Trump de anexar o território.
Pessoas participam do protesto "Tirem as mãos da Groenlândia", realizado após a Casa Branca afirmar que os EUA estavam considerando uma série de opções para adquirir a ilha.
Ritzau Scanpix/Emil Helms via Reuters