No RJ, Lula diz que, se reeleito, vai retirar facções e devolver território ao povo
22/08/2026
(Foto: Reprodução) Lula defende a criação Ministério da Segurança Pública
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (22) que, se for reeleito, vai retirar as facções criminosas e devolver os territórios do Rio de Janeiro ao povo do estado.
O petista deu a declaração durante um ato de campanha no estádio do Bangu, na Zona Oeste da capital fluminense.
O candidato lembrou que enviou ao Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia a participação da União na segurança pública, que atualmente é uma atribuição dos estados.
Ele voltou a dizer que – se o texto, que já passou pela Câmara, for aprovado também pelo Senado, – vai recriar o Ministério da Segurança Pública e ampliará a preparação das polícias Federal (PF) e Rodoviária Federal (PRF).
"Quero olhar na cara desse povo aqui da Região Oeste do Rio. Nós vamos tirar os bandidos do território de vocês. E vamos devolver o território para o povo do Rio de Janeiro. Não vamos fazer Carnaval, pirotecnia, matar 100 ou 200 [criminosos]. Nós vamos prendê-los. Vamos falar a vila é do povo, a escola é do povo, a padaria é do povo. Não é dos bandidos. Isso vamos fazer", afirmou.
O desempenho do governo Lula na área de segurança pública é mal avaliado pela população, conforme pesquisas de opinião, o que tem sido explorado por adversários, sobretudo, pelo candidato do PL, Flávio Bolsonaro (RJ). O tema também é uma das principais preocupações da campanha petista nas eleições deste ano.
O evento na Zona Oeste do Rio neste sábado contou com apresentações musicais e a participação de candidatos apoiados por Lula na eleição estadual, como Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo fluminense; e Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD), candidatos ao Senado.
A primeira-dama, Janja da Silva, discursou e cantou um jingle gospel com o pastor evangélico Kleber Lucas. Lula, que recheou o discurso com citações a Deus, também tenta melhorar sua popularidade nesse segmento da população.
Este foi o terceiro comício que o petista participou nesta semana após o lançamento oficial da campanha à reeleição, que ocorreu no último domingo (16), em São Bernardo do Campo (SP).
Em um momento do discurso, Lula alfinetou o adversário Flávio Bolsonaro, dizendo que os eleitores vão ter de escolher um nome entre o atual presidente e um candidato que "quer vender praias".
A fala foi uma referência a uma PEC, relatada por Flávio no Senado, que prevê a autorização para a venda de terrenos de marinha, ou seja, à beira-mar, a empresas e pessoas que já estejam ocupando as áreas. O candidato do PL nega que a intenção do texto seja privatizar o acesso a praias.
'Ou investe em escola hoje, ou em cadeia amanhã'
O presidente dedicou boa parte do discurso deste sábado para apresentar propostas na área da educação.
Durante o pronunciamento, Lula afirmou que, se reeleito, vai implementar escola em tempo integral em todas as unidades públicas do país e que vai investir na construção de mais institutos federais.
"As crianças vão ficar o dia inteiro na escola para dar tranquilidade aos pais e mães que vão trabalhar, vão ter muito mais aula, inclusive cultural. Vamos fazer mais institutos federais porque queremos fazer revolução na educação. Quando cheguei na Presidência em 2003, esse país tinha menos de 5 milhões de pessoas no mercado de trabalho com diploma universitário. Hoje, já são 25 milhões e quero chegar a 50 milhões", disse o petista.
"Fica muito mais barato investir em educação porque nossa escolha: é ou investe em educação hoje ou tem que investir em cadeia amanhã e eu prefiro investir em escola. Os pais querem deixar uma profissão para o filho andar de cabeça erguida", acrescentou.
Defesa nacional e soberania
O presidente disse ainda que pretende reforçar investimentos no setor de defesa nacional, caso conquiste um quarto mandato.
O assunto tem sido frequente nos discursos do petista, que tem dado ênfase a falas sobre soberania na campanha à reeleição.
Lula disse que quer recuperar a indústria de defesa do país, e voltou a dizer que "não quer guerra", mas que os brasileiros querem "respeito".
"Eu estou cansado de ver o Vladimir Putin [Rússia] fazer guerra, estou cansado do Donald Trump [EUA] falar: Eu tenho o maior navio do mundo, eu tenho o maior foguete do mundo, eu tenho a maior bomba do mundo'. O que eu tenho? Eu vou investir em Defesa, vamos ter indústria forte. A gente não quer guerra, mas a gente quer dizer: 'Não se meta com nós'", declarou.
Minerais críticos e terras raras
O presidente Lula voltou a mencionar a disputa entre Estados Unidos e China sobre o controle de terras raras e minerais críticos. Atualmente, o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras atrás apenas da China.
🔎As terras raras e os minerais críticos são insumos fundamentais para a transição energética global e para a fabricação de tecnologias avançadas, como veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos de consumo e equipamentos de defesa.
Lula afirmou que quem quiser ser parceiro do Brasil na exploração dos recursos vai ter que vir ao país para colaborar no desenvolvimento de tecnologia nacional.
"Essa briga dos Estados Unidos com a China é porque a China é o país que melhor conseguiu desenvolver a exploração e a fabricação das coisas. O que estou dizendo ao mundo é que eu não tenho preferência, eu tenho preferência por todos eles, mas eu sou brasileiro e quem quiser construir parceria que venha para cá", afirmou.
"Eu vou formar os nossos filhos e eles vão ter que se preparar que a riqueza é nossa e será o passaporte do futuro da sociedade brasileira. Para que os nossos filhos e netos tenham aquilo que a gente não conseguiu ter", emendou o petista.
O presidente Lula posa para foto com Paes, Janja e crianças, durante ato de campanha no Rio
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