Na ONU, Lula diz estar movido pela 'indignação', critica 'imobilismo' do Conselho de Segurança e cobra fim das guerras
22/09/2026
(Foto: Reprodução) 'A democracia está em xeque', diz Lula na ONU citando eleições
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou nesta terça-feira (22) uma atuação mais efetiva das Nações Unidas na prevenção e na solução de conflitos globais durante o discurso de abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU.
Lula voltou a defender uma reforma profunda no Conselho de Segurança da ONU — órgão responsável por decisões relacionadas à paz e à segurança internacional —, classificando a atual paralisia da entidade como "inaceitável".
"Esta é a décima ocasião em que abro o Debate Geral desta Assembleia. Desde que ocupei pela primeira vez esta tribuna, em 2003, este é o momento mais crítico das Nações Unidas. O sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa", afirmou o presidente.
"Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis – os que não têm exército, nem arsenais – nunca foi tão pequena. Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel", prosseguiu.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, na sede da ONU, em Nova York, EUA, em 22 de setembro de 2026
Mike Segar/Reuters
Veto de superpotências e 'falência da política'
Lula destacou que o poder de veto concedido aos membros permanentes do Conselho de Segurança criou distorções graves na governança global — tema presente em discursos anteriores.
"Em 1946, já na primeira sessão desta Assembleia, o Brasil alertava para o alto preço que a comunidade internacional pagaria pelo direito de veto. Esse vício de origem da Carta da ONU conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez", criticou o petista.
Ao tratar da proliferação de conflitos no mundo, o presidente enfatizou que a via militar é incapaz de trazer soluções duradouras:
"A guerra não é a continuação da política por outros meios. É a falência total da política. Num mundo interdependente, liderar é conciliar os interesses da pátria com os da humanidade", declarou.
Crise de representatividade e impacto global
O Conselho de Segurança da ONU é composto por 15 integrantes, mas apenas cinco são permanentes e possuem poder de veto: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido.
Como esses países estão direta ou indiretamente envolvidos nos principais confrontos atuais, qualquer medida decisiva acaba bloqueada.
Na avaliação do governo brasileiro, esse modelo reduz drasticamente a capacidade de resposta da ONU diante de crises globais.
Lula defendeu a ampliação dos assentos permanentes para incluir países da América Latina, da África e de outras regiões do Sul Global.
Referindo-se a conflitos atuais, como os do Oriente Médio e a guerra entre Rússia e Ucrânia, Lula alertou que não haverá vencedores nos campos de batalha e defendeu o diálogo diplomático:
"A guerra entre Rússia e Ucrânia se arrasta há cinco anos, em um drama humanitário que continua a ceifar vidas. Todos sabemos que não haverá vencedores no campo de batalha. A diplomacia é a única opção", salientou.
Lula lembrou ainda que a instabilidade internacional afeta diretamente a vida da população em todo o mundo, ao inflacionar preços de combustíveis, alimentos e fertilizantes, além de provocar graves crises humanitárias e deslocamentos forçados de refugiados.
Lula faz pronunciamento na ONU
Reuters/Bing Guan