Moraes diz que Mendonça direciona derrubada de sigilos para proteger 'grupo político'
11/09/2026
(Foto: Reprodução) Na imagem, ministros do STF: Alexandre de Moraes (dir.) e André Mendonça
Fotos de: Fabio Rodrigues-Pozzebom da Agência Brasil e Carlos Moura do STF
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta sexta-feira (11) que o colega André Mendonça realiza "levantamento seletivo" das informações do caso Master.
"O levantamento seletivo e direcionado do sigilo realizada pelo Ministro André Mendonça, na proteção ostensiva de determinado grupo político, repete a ilegal conduta de direcionamento dos acordos de colaboração premiada e de determinações de diligências de investigação de ofício contra alvos predeterminados", afirmou Moraes.
Pouco antes, Mendonça negou ter sido seletivo e afirmou ter tornado públicos todos os procedimentos relacionados às conversas de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O tema será julgado em sessão marcada para a próxima terça-feira (15).
Mais cedo, Moraes havia pedido a derrubada imediata de todo e qualquer sigilo dos documentos.
Depois do ofício de Moraes, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao presidente do STF a retirada de sigilo de todos os documentos da investigação.
O ministro Edson Fachin acolheu o pedido da PGR e deu 24 horas para que o relator do caso liberasse as informações.
Celular de Vorcaro
Moraes também se manifestou, em outro ofício, que "não cabe ao Ministro relator escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento."
O ministro Cristiano Zanin chegou a solicitar a Fachin acesso a todo o celular de Vorcaro. Ele argumentou que seriam informações essenciais para a preparação do julgamento da próxima terça-feira (15), em que a Corte analisará o relatório da PF que encontrou 52 mensagens de Vorcaro para Moraes.
Em resposta, André Mendonça afirmou que o aparelho apreendido nas investigações não se encontra em seu gabinete, mas, sim, sob a custódia da PF.
Crise Master no STF
O embate ocorre após André Mendonça retirar, na quinta (10), o sigilo das principais apurações envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro a pedido de Fachin.
Contudo, a liberação manteve em segredo outras frentes, como a do financiamento do filme "Dark Horse" — cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro que colocou sob apuração da Polícia Federal conversas entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A disputa expôs divergências públicas entre integrantes da Corte, a PGR e a direção-geral da PF.