'Meu maior medo era ser passada como mentirosa', diz dentista após agressões de empresário
17/08/2026
(Foto: Reprodução) 'Desse vez, ele tentou me matar', disse ex-mulher de Ivo Kos
"Depois dessa tentativa de homicídio, que eu não dou outro nome para isso, depois de quase ser morta, o meu maior medo e a minha maior preocupação, além de morrer, era ser passada como mentirosa", disse Giulia Melo Falcão, agredida pelo então marido, o empresário Ivo Vel Kos.
Em entrevista ao Estúdio i nesta segunda-feira (17), Giulia afirmou que as agressões não começaram no episódio que levou à prisão do empresário. Ela disse que já havia registrado outros boletins de ocorrência contra o empresário, inclusive um por estupro matrimonial, e chegou a obter uma medida protetiva.
➡️O empresário Ivo Vel Kos, de 48 anos, foi preso em flagrante por violência doméstica por agredir e ameaçar a mulher, Giulia Melo Falcão Vel Kos, de 27 anos, na madrugada deste sábado (15), Zona Oeste de São Paulo. Após audiência de custódia, o empresário teve a prisão convertida em preventiva. A defesa de Kos disse que, "em respeito a ambas as famílias, a defesa não vai se manifestar no momento".
Quem é Ivo Kos, o empresário da Faria Lima preso por agredir a mulher em SP
Giulia relatou que um dos boletins de ocorrência foi registrado "uma ou duas semanas antes do casamento". Apesar disso, decidiu manter a união porque, segundo ela, acreditava que o relacionamento poderia mudar.
“O meu ex-marido sempre apresentou um comportamento agressivo. Já tive outros boletins de ocorrência, inclusive um deles uma, duas semanas antes do meu casamento que me fez repensar sobre essa união, só que, ao mesmo tempo, eu acreditava, acreditava no casamento, acreditava nessa união.”
Segundo Giulia, as agressões assumiam diferentes formas ao longo do relacionamento e eram seguidas por pedidos de desculpas.
“Então era agressão, manipulação financeira, violência patrimonial em todos os níveis, só que sempre com pedido de desculpa, muito choro, muita lágrima.”
Ela disse que chegou a obter uma medida protetiva, mas decidiu retirá-la quando reatou o casamento. Os demais procedimentos, segundo Giulia, continuaram em andamento.
“Já tinha feito outros BOs, já tinha entrado com uma medida protetiva, já tinha um BO por agressão, mais de um. Tenho um BO que também está no Ministério Público por estupro matrimonial, todos esses processos estão rolando.”
Madrugada de agressões
Giulia também deu detalhes da noite em que foi agredida pelo empresário. Ela afirmou que a violência começou dentro do carro, no trajeto entre um restaurante e a casa do casal.
Segundo Giulia, ela tentou chamar a polícia e pedir ajuda a dois seguranças que estavam na rua, mas não foi socorrida. Depois, ao se recusar a entrar em casa e dizer que aguardaria a polícia do lado de fora, disse que foi atingida com socos.
Ela relatou que foi levada para dentro da residência e que as agressões continuaram. Segundo Giulia, Kos usou uma máquina de choque para intimidá-la e, em determinado momento, levantou um taco de beisebol em sua direção.
“Eu só chorando e eu tentando correr, deixa eu sair, deixa eu sair e ele tentando me aprisionar mesmo, fazendo com que eu ficasse lá apanhando por ele, quando ele pega um taco de beisebol e levanta na minha direção, eu coloco a mão na frente.”
Giulia Melo Falcão e Ivo Vel Koss
GloboNews e Reprodução
Medo de não acreditarem
Giulia afirmou que amigos e pessoas próximas já sabiam do histórico de violência, mas que as sucessivas reconciliações fizeram com que algumas pessoas passassem a duvidar dos relatos.
“Pessoas próximas a mim já sabiam, próximas a nós já sabiam do que acontecia, mas por sempre voltar você também perde um pouco da credibilidade e as pessoas acabam duvidando até que ponto isso é verdade.”
Giulia afirmou ainda que a diferença de poder financeiro dentro do relacionamento era usada como forma de controle. Segundo ela, Kos fez com que deixasse o trabalho, o que tornou o empresário responsável pela maior parte de sua renda.
“Corra”
Giulia aconselhou outras mulheres que vivem situações de violência a registrar as agressões e reunir provas.
“Por mais moroso e difícil, ofensivo que seja o processo de fazer uma denúncia, faça, registre o máximo de informação, tenha o máximo de prova, coloque câmera escondida, grave áudios, não adianta, eles vão tentar intimidar, falar que conversa de WhatsApp não é prova, mas o máximo de informações que vocês puderem ter contra o agressor realmente vai ser válido em algum momento.”
Ivo Kos foi preso acusado de agredir a esposa, Giulia Melo Falcão Vel Kos
Arquivo Pessoal