Lula recebe com alívio resultado do Datafolha e trabalha para mudar a pauta com Bolsa Família e canetas emagrecedoras no SUS
18/09/2026
(Foto: Reprodução) Datafolha: Lula e Flávio Bolsonaro empatam no primeiro turno
A equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) temia um resultado negativo no DataFolha. O resultado de estabilidade, com Lula numericamente à frente no segundo turno, foi recebido com alívio. Agora, a ordem é sair da pauta da crise do STF e mudar a agenda.
O comando da campanha de Lula acredita que já está conseguindo isso com o reajuste do Bolsa Família e o anúncio de que o SUS vai fornecer canetas emagrecedoras, mas ainda sem data.
São dois temas populares e que podem ajudar a melhorar a imagem do governo Lula nesta reta final da eleição presidencial.
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Ricardo Stuckert
Havia um temor de que a semana negativa no STF pudesse afetar as intenções de voto do presidente Lula. Não foi o que aconteceu no Datafolha.
Na simulação de primeiro turno, o petista manteve o percentual de 39%. Flávio Bolsonaro oscilou um ponto para cima, ficando com 36% e configurando um empate técnico. No segundo turno, Lula ficou com 46% e Flávio Bolsonaro com 44%, os mesmos percentuais da pesquisa anterior.
Agora, a estratégia da campanha de Lula é seguir batendo no candidato do PL, dizendo que votar em Flávio Bolsonaro é o mesmo que votar em Daniel Vorcaro, cobrando explicações sobre o dinheiro do banqueiro que financiou o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Bolsonaro.
Além de focar na agenda positiva do Bolsa Família e das canetas emagrecedoras.
O PL está criticando a medida, chamando-a de eleitoreira, o que de fato é. Só que, o ex-presidente Jair Bolsonaro deu um reajuste ainda maior durante a eleição de 2022, elevando de R$ 400 para R$ 600 o então Auxílio Brasil em julho daquele ano.
Em relação à pesquisa Datafolha, a campanha de Flávio Bolsonaro diz que, nos seus levantamentos, o candidato do PL já está à frente numericamente de Lula no segundo turno.
Os assessores do senador do PL destacam, porém, como positivo a redução da distância no primeiro turno, configurando um empate técnico. A ordem será manter a agenda de que votar em Lula é votar em Moraes.
Terá de lidar, porém, com o reajuste do Bolsa Família. O coordenador da campanha, Rogério Marinho, criticou o aumento do ponto de vista fiscal, mas não disse ser contra o reajuste. O PL não vai entrar no TSE, e gostou da iniciativa de Renan Santos de cumprir esse papel, depois de o ministro André Mendonça rejeitar a ação do deputado José Trovão.
O governo Lula decidiu dar o aumento para o Bolsa Família diante do momento negativo na campanha. Foi uma reação ao risco de terminar a eleição em queda nas pesquisas e observar Flávio Bolsonaro subindo.
Para este ano, o governo tem espaço fiscal para acomodar os R$ 5,8 bilhões de gastos extras. No ano que vem, o aumento vai representar mais gastos na casa de R$ 22,7 bilhões, previsão que não está na proposta orçamentária enviada ao Congresso.
Isso vai tornar mais complicado ainda fazer um ajuste fiscal no ano que vem, considerado urgente por dez entre dez economistas.