Israel vai ampliar controle na Cisjordânia e facilitar compra de terras por colonos, dizem veículos

  • 09/02/2026
(Foto: Reprodução)
Vista aérea mostra assentamento judeu de Neve Daniel, na Cisjordânia, em março de 2024. Dedi Hayun/ Reuters O gabinete de segurança de Israel aprovou neste domingo (8) uma série de medidas que facilitam a compra de terras por colonos israelenses na Cisjordânia ocupada e ampliam os poderes de fiscalização das autoridades israelenses sobre os palestinos, segundo a imprensa local. A Cisjordânia está entre os territórios reivindicados pelos palestinos para a criação de um futuro Estado independente. Grande parte da região está sob controle militar israelense, com autogoverno limitado dos palestinos em algumas áreas administradas pela Autoridade Palestina (AP), apoiada pelo Ocidente. Citando declarações do ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, e do ministro da Defesa, Israel Katz, os sites israelenses Ynet e Haaretz afirmaram que as medidas incluem o fim de regulações em vigor há décadas que impedem cidadãos judeus privados de comprar terras na Cisjordânia. As mudanças também preveem permitir que autoridades israelenses administrem alguns locais religiosos e ampliem a supervisão e a fiscalização em áreas sob administração da AP, em questões como riscos ambientais, infrações relacionadas à água e danos a sítios arqueológicos. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, afirmou que as novas medidas são perigosas, ilegais e equivalem a uma anexação de fato. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A ação de Israel levou aos ministros das Relações Exteriores do Catar, da Jordânia, dos Emirados Árabes Unidos, da Indonésia, do Paquistão, da Turquia, da Arábia Saudita e do Egito condenarem as decisões e o que chamaram de "medidas ilegais adotadas por Israel com o objetivo de impor uma soberania israelense ilegal, ampliar a atividade de assentamentos e estabelecer uma nova realidade jurídica e administrativa na Cisjordânia ocupada". Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (9), os ministros afirmaram que "as medidas aceleram tentativas de anexação ilegal do território e de deslocamento do povo palestino". Segundo esses países, Israel não tem soberania sobre os territórios palestinos ocupados. Os ministros afirmaram rejeitar de forma absoluta essas ações, classificadas como uma violação flagrante do direito internacional. O texto também afirma que essas ações comprometem os esforços em curso para alcançar a paz e a estabilidade no Oriente Médio. Os ministros declararam que as medidas ilegais adotadas na Cisjordânia ocupada são nulas e sem efeito e violam de forma clara resoluções do Conselho de Segurança da ONU, em especial a Resolução 2334, que condena todas as medidas israelenses destinadas a alterar a composição demográfica, o caráter e o status do território palestino ocupado desde 1967, incluindo Jerusalém Oriental. Retroescavadeiras são vistas no alto de assentamento judeu na Cisjordânia, em maio de 2025. Nasser Nasser/ AP Os ministros israelenses não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. As decisões foram anunciadas três dias antes do encontro previsto entre o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington. Em nota, Abbas pediu a intervenção de Trump e do Conselho de Segurança da ONU. Trump já descartou uma anexação formal da Cisjordânia por Israel, mas seu governo não tentou conter a aceleração da construção de assentamentos israelenses, que os palestinos dizem inviabilizar a criação de um Estado ao fragmentar seu território. Netanyahu, que deve enfrentar eleições ainda neste ano, considera a criação de um Estado palestino uma ameaça à segurança de Israel. Sua coalizão de governo inclui diversos integrantes favoráveis aos colonos, que defendem a anexação da Cisjordânia — território ocupado por Israel na guerra do Oriente Médio de 1967, ao qual o país atribui vínculos bíblicos e históricos. Em 2024, o mais alto tribunal da ONU afirmou, em parecer consultivo não vinculante, que a ocupação israelense dos territórios palestinos e os assentamentos na região são ilegais e devem ser encerrados o mais rápido possível. Israel contesta essa avaliação.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/02/09/israel-vai-ampliar-controle-na-cisjordania-e-facilitar-compra-de-terras-por-colonos-dizem-veiculos.ghtml


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