Irmãos corretores de imóveis de luxo são condenados por tráfico sexual em caso que chocou o mercado imobiliário nos EUA
10/03/2026
(Foto: Reprodução) Irmãos são acusados de tráfico sexual nos EUA
Al Diaz/Miami Herald via AP
Três irmãos, incluindo dois dos corretores de imóveis de luxo mais bem-sucedidos dos Estados Unidos, foram condenados por tráfico sexual nesta segunda-feira (9), após um julgamento de cinco semanas. Eles foram acusados de drogar e estuprar dezenas de mulheres que conheceram enquanto exibiam riqueza e um estilo de vida luxuoso.
O veredicto veio depois que 11 mulheres testemunharam em um tribunal federal de Manhattan que foram agredidas sexualmente por um ou mais dos irmãos: os gêmeos Oren Alexander e Alon Alexander, de 38 anos, e Tal Alexander, de 39.
Os três balançaram a cabeça enquanto o presidente do júri dizia “culpado” 19 vezes seguidas. A decisão pode levá-los à prisão pelo resto da vida.
Tal Alexander abaixou a cabeça sobre os braços cruzados. Os pais deles, sentados na plateia do tribunal, pareciam atônitos. A esposa de Alon Alexander cobriu o rosto com a mão e aparentava conter o choro.
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A juíza Valerie E. Caproni marcou a sentença para 6 de agosto. Os irmãos estão presos desde que foram detidos, em 2024, e devem recorrer da decisão, segundo seus advogados.
“Continuamos acreditando na inocência dos nossos clientes e não vamos parar de lutar até vencer. Acreditamos que um dia vamos vencer”, disse o advogado de defesa Marc Agnifilo do lado de fora do tribunal.
O procurador federal Jay Clayton afirmou que o veredicto representa uma vitória para vítimas de crimes sexuais que muitas vezes não são denunciados nem punidos.
“A verdade é que o tráfico sexual e outros crimes federais desse tipo estão presentes em muitos setores da sociedade, e ainda não fizemos o suficiente para erradicá-los”, disse em nota.
Dezenas de mulheres dizem ter sido drogadas e agredidas
A condenação representa uma queda espetacular para Oren e Tal Alexander, que já foram conhecidos como o “time A” do mercado imobiliário por suas vendas milionárias e por atender clientes famosos.
Depois de bater recordes de vendas na poderosa imobiliária Douglas Elliman, os irmãos abriram a própria empresa. Já Alon Alexander administrava a empresa de segurança privada da família.
Segundo depoimentos das vítimas, elas conheceram os irmãos em boates, festas e aplicativos de namoro. Muitas disseram ter sido atacadas após aceitar convites para viagens com todas as despesas pagas para destinos como os Hamptons, Aspen e cruzeiros pelo Caribe.
Mais de 60 mulheres afirmam ter sido estupradas por um ou mais dos irmãos, de acordo com promotores.
Advogados de defesa argumentaram que as acusadoras poderiam ter memórias falhas ou estariam tentando lucrar com a fortuna dos irmãos. Eles reconheceram que os três tinham muitos relacionamentos, mas disseram que todas as relações sexuais foram consensuais.
Além das acusações principais, Alon e Tal Alexander também foram condenados por tráfico sexual de uma menor. Já Alon e Oren Alexander foram considerados culpados por abuso sexual agravado com uso de força ou substâncias intoxicantes e por abuso sexual de pessoa fisicamente incapacitada.
Oren Alexander também foi condenado por explorar sexualmente uma menor depois que promotores mostraram ao júri um vídeo em que ele aparece gravando a si mesmo enquanto aparentemente abusava de uma adolescente de 17 anos que estava drogada.
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Processos revelam segredo conhecido no setor imobiliário
Além do processo criminal, os irmãos enfrentam cerca de duas dezenas de ações judiciais nos últimos dois anos.
Uma delas foi apresentada na semana passada por Tracy Tutor, estrela do programa Million Dollar Listing Los Angeles, do canal Bravo. Ela afirma que Oren Alexander a drogou e a agrediu sexualmente quando ela estava em Nova York para um evento do setor imobiliário.
Quando os primeiros processos vieram à tona, várias outras mulheres também disseram ter sido agredidas. Segundo elas, o comportamento dos irmãos era um “segredo aberto” no mercado imobiliário. As denúncias chamaram a atenção das autoridades, que abriram a investigação criminal.
Durante o julgamento, muitas testemunhas disseram acreditar que suas bebidas foram adulteradas. Algumas relataram que sentiram como se tivessem perdido o controle do próprio corpo.
Uma mulher contou que conheceu os irmãos em 2012, em uma festa no apartamento do ator Zac Efron, em Manhattan. Ela disse que quase não teve contato com o ator, que não foi acusado de irregularidades.
Segundo o depoimento, depois da festa ela foi a uma boate e acordou mais tarde nua, com Alon Alexander também nu ao lado dela.
“Eu disse que não queria fazer sexo com você”, afirmou a mulher no tribunal. “Haha, você já fez”, teria respondido ele, segundo o relato, enquanto ria dela.
Os irmãos Alon Alexander , Oren Alexander e Tal Alexander, corretores de imóveis de luxo, em um desenho que retrata a cena do tribunal.
REUTERS/Jane Rosenberg
Depoimentos contestam argumento da defesa
Promotores também contestaram a tese da defesa de que as acusações seriam motivadas por dinheiro.
A promotora Elizabeth Espinosa disse ao júri que apenas duas das mulheres têm processos civis em andamento — e ambas são ricas.
Uma das testemunhas afirmou que foi estuprada por Alon Alexander em Aspen, em 2017, quando tinha 17 anos. Ela disse ser filha de um bilionário.
“Eu não quero o dinheiro deles. Só não quero que eles tenham”, declarou aos jurados.
A artista e dona de galeria Lindsey Acree afirmou que foi estuprada por Tal Alexander e outro homem em uma casa nos Hamptons em 2011, após beber algo que a deixou paralisada.
Ela disse que entrou com processo no ano passado, mesmo sem precisar do dinheiro, porque os irmãos a chamavam — junto com outras mulheres — de oportunistas e golpistas.
“Se uma criança fica batendo nas pessoas com um pedaço de pau, você tira o pau dela”, disse ao júri. “O dinheiro é o pau deles. Então você tira isso para que eles não possam machucar mais ninguém.”
A Associated Press normalmente não identifica pessoas que dizem ter sido vítimas de agressão sexual, a menos que elas decidam se identificar publicamente — como fizeram Acree e Tutor.