Irã quis testar reação do Exército dos EUA com drone perto de porta-aviões e tentativa de apreender petroleiro, diz instituto
04/02/2026
(Foto: Reprodução) Os porta-aviões USS Abraham Lincoln e aviões da Força Aérea dos Estados Unidos, em imagem de arquivo.
Brian M. Wilbur/Forças Armadas dos EUA
Dois incidentes separados ocorridos na terça-feira (3) elevaram o alerta no Estreito de Ormuz, na costa do Irã, palco da escalada de tensões entre os Estados Unidos e o Irã.
Primeiro, um drone iraniano foi abatido após se aproximar do porta-aviões norte-americano USS Abraham Lincoln;
Horas depois, barcos do Irã interceptaram um petroleiro dos EUA e tentaram o apreender, mas novamente foram repelidos pelos EUA. Leia mais sobre ambos os incidentes abaixo.
Ambas as ações tiveram como objetivo testar a reação do Exército norte-americano para ver como as forças militares dos EUA responderiam, segundo o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês), um think-tank norte-americano especializado em questões militares.
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O ISW alertou ainda que os dois incidentes podem marcar o início de uma escalada marítima do Irã que busca dissuadir um ataque dos EUA por meio de demonstrações de capacidade de desafiar a presença naval norte-americana na costa iraniana.
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Segundo o ISW, os incidentes "provavelmente foram destinados a testar as reações defensivas da Marinha americana e demonstrar a capacidade iraniana de ameaçar forças e ativos dos EUA. (...) Uma ação de sondagem busca testar a força, a disposição e as reações de uma força adversária".
Ao menos 10 navios de guerra estão próximos ao Irã após envio do presidente dos EUA, Donald Trump, segundo o jornal norte-americano "The New York Times". Trump realiza uma escalada de tensões com o objetivo de pressionar o regime do aiatolá Ali Khamenei a um acordo para limitar seu programa nuclear.
Entre os navios enviados por Trump estão o porta-aviões USS Abraham Lincoln e seu grupo de ataque de navios que o escoltam, que inclui navios de combate e de reabastecimento. Uma análise do g1 identificou os modelos de seis destróieres que acompanham o porta-aviões:
USS Spruance;
USS Michael Murphy;
USS Frank E. Petersen Jr.;
USS Delbert D Black;
USS Mitscher;
USS McFaul.
Apesar dos incidentes de terça-feira, uma rodada de negociações nucleares envolvendo os EUA e o Irã ainda está agendada para ocorrer na sexta-feira (6) no Omã. As tratativas devem contar com a presença de representantes de outros países da região.
O impasse entre os EUA e o Irã ocorre porque o Teerã defende seu direito de enriquecer urânio e diz que seu programa nuclear é pacífico — no entanto, EUA e Israel não acreditam nisso. Trump utilizou uma recente onda de protestos contra o regime Khamenei para iniciar sua pressão para levar o Irã à mesa de negociações.
EUA e Irã já tiveram um acordo de não proliferação de armas nucleares, assinado pelo ex-presidente norte-americano Barack Obama. O próprio Trump, no entanto, se retirou desse acordo em 2018, em sua primeira gestão na Casa Branca, em retaliação ao Irã. Na ocasião, ele acusou o governo iraniano de financiar grupos terroristas.
Drone abatido pelos EUA
EUA derrubam drone do Irã que se aproximou de porta-aviões americano
O Exército dos Estados Unidos derrubou na terça-feira (3) um drone militar iraniano que se aproximou de um dos porta-aviões norte-americanos que navegam rumo ao Irã. Segundo comunicado do Exército, um caça F-35 levantou voo para abater o drone, de modelo Shahed-139, quando a aproximação foi detectada.
"Um caça F-35C do USS Abraham Lincoln derrubou um drone iraniano em legítima defesa e para proteger o porta-aviões e a tripulação a bordo", afirmou o porta-voz do Comando Central dos EUA, capitão Tim Hawkins, na nota.
Horas após o incidente, agências de notícias iranianas afirmaram que um drone concluiu uma "missão de vigilância em águas internacionais". Ainda não se sabe o quão perto o drone chegou do porta-aviões USS Abraham Lincoln. Leia mais sobre o incidente aqui.
EUA repelem tentativa de apreensão de petroleiro
Horas após o incidente com o drone, forças iranianas tentaram apreender um navio petroleiro de bandeira dos EUA que navegava no Estreito de Ormuz, informaram fontes marítimas à agência de notícias Reuters.
Segundo a agência, um grupo de lanchas armadas iranianas se aproximou do petroleiro Stena Imperative, que navegava em direção ao Bahrein. Os soldados ordenaram que a tripulação desligasse os motores e se preparasse para ser abordado. No entanto, nesse momento o destróier norte-americano USS McFaul interviu e passou a escoltar a embarcação.
O Irã alega que a embarcação havia entrado em águas territoriais iranianas sem as permissão e foi advertida e deixou a área “sem que qualquer evento especial de segurança tivesse ocorrido”, segundo a agência semi-oficial iraniana Fars. Entretanto, agências de monitoramento marítimo desmentem a afirmação e dizem que o petroleiro estava em águas internacionais.
Segundo o ISW, a Guarda Revolucionária do Irã pode ter selecionado o petroleiro Imperative pelo fato da embarcação já ter sido utilizada para reabastecer navios militares dos EUA.
O regime Khamenei tem um total de 10 bases navais na região do Estreito de Ormuz, oito da Guarda Revolucionária do Iã e duas da Marinha iraniana, ainda segundo o ISW.
Conheça o Grupo de Ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln e o submarino USS Georgia, da Marinha dos EUA, enviados ao Oriente Médio para reforçar as defesas de Israel.
Equipe de arte/g1