'Há males que vêm para o bem', diz Lula em cerimônia de anúncio de medidas de resposta ao tarifaço dos EUA
22/07/2026
(Foto: Reprodução) 'Há males que vêm para o bem', diz Lula no anúncio de medidas contra o tarifaço
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (22) que "há males que vêm para o bem". O petista deu a declaração durante cerimônia de anúncio de medidas do governo federal de resposta ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros (leia mais aqui).
Lula afirmou acreditar que o Brasil pode, buscando novos parceiros comerciais, sair fortalecido após a medida dos Estados Unidos.
"Todos nós, desde que entendemos as primeiras palavras, ouvimos a frase há males que vêm para o bem. Na política, a sociedade sempre encontra um jeito de sair mais forte", declarou.
"Na economia, também provamos que precisamos encontrar saídas para as crises. Estamos demonstrando, com o Brasil Soberano III, que não há crise que impeça o Brasil de continuar crescendo", completou o petista.
O presidente também repetiu dados que indicam que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é favorável aos norte-americanos e disse que "ninguém vai ganhar do Brasil mentindo".
"Mesmo com a decisão abrupta do governo americano, de achar que a taxação que fez sem conversar com ninguém, ninguém ia achar que o mundo ia ruir. As pessoas estão aprendendo a ser mexer e conversar com outras pessoas que pareciam não saber conversar, aprendendo outros idiomas e conhecendo outras moedas", declarou Lula.
"Estamos conversando com países para ganhar mais do que estávamos ganhando. Temos que procurar saída, o Brasil é grande, respeitado, tem credibilidade conquistada no mercado internacional. Ninguém vai ganhar do Brasil mentindo", acrescentou.
Medidas de resposta ao tarifaço
Lula discursa durante assinatura do Brasil Soberano III
Reprodução
O governo anunciou nesta quarta a liberação de R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas adicionais de 25% aplicadas a produtos brasileiros vendidos no mercado americano e também para aquelas impactadas pela guerra no Oriente Médio.
A medida é chamada de "Brasil Soberano 3" pelo governo. Segundo o Palácio do Planalto, R$ 13,5 bilhões virão de recursos não utilizados no "Brasil Soberano 1" e da renegociações de dívidas rurais. Outros R$ 5 bilhões virão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O financiamento será destinado às empresas que:
são afetadas por tarifas comerciais dos EUA, como setores de aço, alumínio, automotivo, madeira, máquinas, entre outros;
são de setores industriais estratégicos, por exemplo: fertilizantes, farmacêutico, têxtil, minerais críticos, entre outros;
setores que tiveram exportações para o Golfo Pérsico afetados.
O presidente também sancionou uma lei que liberou R$ 15 bilhões em recursos para linhas de crédito do Plano Brasil Soberano 2, ampliando assim o programa criado no ano passado para responder ao primeiro tarifaço dos Estados Unidos. A lei deriva de uma medida provisória (MP) de março de 2026.
O crédito será destinado a empresas exportadoras de diversos setores. O governo coloca algumas regras para as empresas que aderirem ao programa como, por exemplo, a manutenção de pelo menos parte dos empregos.
Outras medidas continuam em estudo e podem ser colocadas em prática na medida em que as empresas perceberem dificuldades na vazão dos produtos tarifados, como antecipou o blog da Ana Flor.
O anúncio da resposta ocorre um dia após o governo federal iniciar uma rodada de reuniões com representantes dos setores mais afetados pelo "tarifaço" dos Estados Unidos.
Os encontros são para ouvir as demandas das empresas e discutir medidas para reduzir os impactos das tarifas sobre as exportações brasileiras.