Gregory Bovino, o rosto da truculência contra imigrantes em Minneapolis
26/01/2026
(Foto: Reprodução) Gregory Bovino com seus agentes do ICE em Minneapolis
AP foto/Tom Baker
Preste atenção nesse nome: Gregory Bovino, o obstinado comandante da polícia de fronteira dos Estados Unidos que lidera a repressão aos imigrantes em Minneapolis, onde dois cidadãos americanos já morreram pela ação de agentes federais.
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Aos 55 anos, ele cultiva a fama de valentão e gosta de ostentar armas de grosso calibre em fotos e vídeos.
Costuma aparecer vestido com um longo sobretudo verde oliva de botões de latão, que fez a mídia alemã automaticamente associá-lo ao uniforme usado por oficiais do regime nazista.
Bovino foi alçado ao cargo por desejo do presidente Donald Trump, insatisfeito com a morosidade com que a sua política de deportação em massa vinha sendo aplicada. Passou por Los Angeles, Chicago e, agora, é o rosto mais visível da truculência em Minneapolis, onde seus agentes costumam circular mascarados, como se fossem paramilitares.
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No sábado (24), duas semanas após o assassinato de Renee Good, foi a vez de o enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, ser executado com uma dezena de tiros por agentes federais. Foi imediatamente qualificado, sem provas, como terrorista doméstico pela secretária de Segurança Interna, Kristi Noem.
Bovino corroborou a tese que visa a transformar a vítima em vilão: “O suspeito se colocou nessa situação, em que um indivíduo queria causar o máximo de danos e massacrar os agentes da lei.”
Pretti apenas filmava com seu celular a ação do ICE e tentava proteger uma mulher atingida por spray de gás. Portava uma arma, guardada em seu bolso e retirada por agentes quando já estava imobilizado e antes de ser assassinado.
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Diante da repercussão negativa da execução, o chefe da patrulha de fronteira parabenizou os subordinados, alegando que Pretti “estava ali por algum motivo” e foi impedido de algo mais grave graças à ação das forças policiais.
Ao abusar da retórica belicosa, Bovino insufla a atuação violenta de seus agentes, e 3 mil deles foram enviados para Minnesota.
“Se você acha que os rótulos de fascismo e autoritarismo são exageros, assista a este vídeo", alertou recentemente o governador da Califórnia, Gavin Newsom, em referência a uma imagem que retratava o comandante do ICE como um oficial hitlerista.
Gregory Bovino
AP Photo/Angelina Katsanis
Ironicamente, o porte de armas, direito garantido pela Segunda Emenda da Constituição, passou a ser o argumento utilizado por Bovino contra o enfermeiro, que justificaria a imobilização e assassinato de um cidadão americano.
Foi o bastante para deflagrar a reação indignada de grupos defensores do direito ao porte de armas, frequentemente alinhados com o presidente, rechaçando a narrativa federal.
Com táticas violentas de abordagem de imigrantes, Bovino posa de herói para a base eleitoral de Trump. Mas a imagem da detenção de uma criança de 5 anos em Minnesota ajuda a disseminar esta certeza, embora ele tenha assegurado que seus agentes são especialistas para lidar com filhos de imigrantes.
Os índices de aprovação de Trump estão em queda: 58% dos entrevistados em uma pesquisa da CNN consideram o primeiro ano de mandato um fracasso.
A realidade alternativa sobre a morte do enfermeiro, descrita por autoridades como Gregory Bovino, cheira a impunidade e, em efeito bumerangue, está se voltando rapidamente contra o governo.