Galípolo diz que uso de dinheiro de fraudes do Master 'chama atenção', mas minimiza risco ao sistema financeiro: '3ª divisão'

  • 19/05/2026
(Foto: Reprodução)
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reafirmou nesta terça-feira (19) que a liquidação do banco Master, feita pela autoridade monetária em novembro do ano passado por conta de indícios de irregularidades, não oferecia risco ao sistema financeiro. Durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, ele explicou que o banco Master era relativamente pequeno para oferecer um "risco sistêmico". Na mesma época, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso em uma operação que mirava a venda de títulos de crédito falsos. "Concordo que isso está consternando as pessoas, não é o passivo [dívida do Master]. Mas o que foi feito com o dinheiro. Um banco S3, na terceira divisão do futebol do sistema financeiro, não oferece risco sistêmico, é menor de 0,5% do patrimônio [total do sistema]. O que se chama a atenção é o que se fazia com o dinheiro", declarou Galípolo, do Banco Central. Vídeos em alta no g1 Na última semana, foi revelado que o banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. E que as negociações envolveram contatos diretos com o filho mais velho do ex-presidente, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que pediu dinheiro e pressionava pelos pagamentos. O banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões. O financiamento de Vorcaro ao filme de Jair Bolsonaro, entretanto, não foi citado diretamente pelo presidente do Banco Central. A Polícia Federal diz ter indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro pagou ao menos três viagens internacionais do senador Ciro Nogueira, presidente do Partido Progressistas. O Banco Master também pagou mais de R$ 80 milhões ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Recorde de liquidações de instituições financeiras Por conta da liquidação do banco Master, o BC foi obrigado a liquidar outras instituições financeiras ligadas a ele. Segundo ele, a autoridade monetária liquidou 13 instituições desde 2025. "A gente está em um recorde, não que eu me orgulhe dele. Nós estamos com dificuldade em encontrar novos liquidantes de tantas instituições que nós liquidamos de 2025 para cá", disse o presidente do BC. Saída organizada do mercado Após o BC negar a compra do Master pelo BRB e antes de ser liquidado, em setembro do ano passado, Galípolo disse que Vorcaro propôs uma saída organizada do banco do mercado. "Ele estava dizendo que tinha um novo comprador. Nem banco era. De novo, esses investidores árabes já constavam de uma carta de setembro, quando há rejeição de compra pelo BRB. Ele disse que faria uma saída organizada do mercado, uma auto liquidação, passando para esse investidores árabes, que jamais eu tive conhecimento", afimou Galípolo. Questionado sobre reuniões realizadas por Daniel Vorcaro no Banco Central nos últimos anos, antes de ser preso, e da participação do ex-servidores da autoridade monetária nas irregularidades, Galípolo afirmou que quando há um banco com suspeita sobre atuações, com evidências e indícios de práticas inadequadas, a fiscalização faz um acompanhamento 'bem mais de perto". "Não acompanhei, mas ate 2024 meu mandato era de diretor de Politica Monetária. O BC não pode dizer que alguém cometeu fraude, só a justiça, Ministério público. Mas com as evidências que tínhamos, tinha que ter um acompanhamento mais perto. BC passou a impor uma serie de restrições", declarou Galípolo, chefe do BC. Autonomia do BC Para melhorar a governança e o controle do Banco Central sobre o sistema financeiro, o presidente Gabriel Galípolo pediu que o Senado Federal aprove o projeto que garante autonomia orçamentária à autoridade monetária. Com a mudança, o BC não dependeria mais do orçamento da União. “Se o Senado quer ajudar a governança do BC, aprova o projeto que está há 10 anos na Câmara e dá autonomia ao BC. Para ter recursos para competir com o sistema financeiro, que tem muitos recursos. Como automatizo processos e coloco mais gente sem pessoal?”, questionou. O presidente da autoridade monetária também pediu a aprovação do projeto que cria um regime de resolução bancária, aplicável pelo Banco Central a instituições financeiras e seguradoras que tenham dificuldades de orçamento. O objetivo seria atualizar essas regras de intervenção e liquidação do BC em instituições financeiras. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, fala na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, no dia 19 de maio de 2026 Edilson Rodrigues/Agência Senado

FONTE: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/05/19/galipolo-diz-que-master-era-da-3a-divisao-de-futebol-do-sistema-financeiro-o-que-chama-a-atencao-e-o-que-se-fazia-com-o-dinheiro.ghtml


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