Flávio Bolsonaro diz que dinheiro pago por Vorcaro para filme foi para fundo de advogado do irmão Eduardo
14/05/2026
(Foto: Reprodução) Flávio nega que dinheiro do Master tenha sido enviado para Eduardo Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse nesta quinta-feira (14) que recursos pagos pelo banqueiro Daniel Vorcaro para bancar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro, foram para um fundo administrado nos Estados Unidos pelo advogado de seu irmão, Eduardo Bolsonaro. O dono do Banco Master chegou a pagar R$ 61 milhões (entenda mais abaixo).
Ele negou, porém, que o dinheiro tenha sido usado para bancar despesas de Eduardo, que vive nos EUA desde o ano passado e responde a processo por tentar interferir na Justiça brasileira. A Polícia Federal investiga essa hipótese, conforme revelou a colunista Andréia Sadi.
Em entrevista exclusiva ao Mais, da GloboNews, o pré-candidato à Presidência da República pelo PL afirmou que o dinheiro foi "integralmente" direcionado à produção do filme.
"Não foi para o Eduardo Bolsonaro. Todos os recursos que foram aportados nesse fundo, que é específico para a produção do filme, foram usados integralmente para fazer o filme", afirmou.
Flávio indicou que considera natural que o advogado que cuidou do processo migratório do irmão nos EUA tenha participado da operação de financiamento do filme.
"Para colocar de pé uma estrutura dessa, criar um fundo, cuidar das questões legais, de burocracia, você tem que contratar um advogado, um advogado de confiança do Eduardo Bolsonaro, alguém que cuidou de todo o seu processo de green card. Está dentro do contexto do filme. O advogado é gestor do fundo também", disse o senador.
Segundo reportagem publicada no site Intercept Brasil na quarta-feira (13), os recursos pagos por Vorcaro passaram pela empresa Entre Investimentos e Participações e pelo fundo Havengate Development Fund LP, registrado no Texas (EUA) e representado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.
O banqueiro pagou R$ 61 milhões para financiar o filme sobre Bolsonaro, informou o site. Vorcaro está preso em Brasília e é investigado por fraudes bilionárias envolvendo o Master e uma rede de fundos ligados a organizações criminosas, além de corrupção e lavagem de dinheiro.
Seu pai, Henrique Vorcaro, foi preso nesta quinta suspeito de bancar uma espécie de milícia privada — chamada A Turma — que intimidava e espionava adversários.
Flávio cita contrato de confidencialidade
Em relação às mensagens que trocava com Vorcaro para pedir dinheiro, reveladas pelo Intercept, Flávio disse que seu papel era buscar investidores para o projeto.
"Minha participação foi buscar investidores para colocar de pé um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, meu pai, uma pessoa que está passando por uma grande perseguição e foi vítima de uma farsa. E é meu sonho fazer com que a história de vida dele, que é emocionante, seja uma homenagem em forma de filme."
O senador disse ainda que escondeu publicamente sua relação com o banqueiro por causa de um contrato de confidencialidade. Na quarta-feira, horas antes de o Intercept revelar a troca de mensagens, o senador foi questionado sobre isso por jornalistas em Brasília e afirmou que seria mentira. Depois que o caso veio à tona, ele admitiu a relação com o banqueiro e negou irregularidades.
"Eu não falei que era mentira. Tenho contrato de confidencialidade. Estou falando disso agora porque veio à tona, não tem mais como negar", disse.
"Se eu falo assim 'eu conheço o Vorcaro’, a pergunta seguinte seria 'qual a sua relação com ele?' Eu ia ter que falar do filme. Foi só por isso que eu me eximi", afirmou.
Flávio Bolsonaro diz que tinha contrato de confidencialidade sobre filme
Segundo o senador, o contato com Vorcaro era "exclusivamente" para tratar do projeto "Dark Horse" (termo em inglês para "azarão"). "Qualquer mensagem que apareça daqui para frente, qualquer mensagem que já apareceu, o meu contato, os meus contatos, sejam por telefone ou pessoalmente com ele, foram exclusivamente para falar do filme, uma conversa monotemática", disse.
Flávio afirmou que, quando conheceu Vorcaro, em dezembro de 2024, não sabia que o banqueiro estava envolvido em atividades criminosas. A reportagem do Intercept revela que o senador e Vorcaro trocaram mensagens durante o ano passado, inclusive um dia antes de o banqueiro ser preso, quando Flávio escreveu: "estou e estarei contigo sempre".
Questionado sobre termos usados nas mensagens, o senador argumentou que chamar alguém de "irmão" e "mermão" faz parte do linguajar carioca e não significa necessariamente intimidade.
"Irmão, mermão é uma expressão que a gente usa para cumprimentar, até para pedir um coco na praia. É igual guri no Rio Grande do Sul, piá no Paraná, mano em São Paulo. Não tem por que querer empurrar goela abaixo uma intimidade que não tenho."
'Irmão e irmãozinho não significa intimidade', diz Flávio Bolsonaro sobre conversa com Vorcaro
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