Fachin marca para 24 de junho julgamento sobre vínculo de motoristas e entregadores com aplicativos
29/05/2026
(Foto: Reprodução) O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, vai retomar em 24 de junho o julgamento que vai decidir se motoristas e entregadores têm vínculos com aplicativos.
A decisão terá "repercussão geral", isto é, deverá ser seguida pelos tribunais de todo o país.
Em um vídeo divulgado nesta manhã, Fachin falou sobre a importância de se retomar o debate e destacou que a matéria está "instruída e amadurecida" na Corte.
"Chegou o momento, agora, de apresentar uma resposta para essas questões cruciais. Uma resposta equilibrada, com base nos direitos e deveres constitucionais, que, ao mesmo tempo, seja lúcida e sensível para proteger os trabalhadores e que também compreenda a importância dessa ferramenta para o mundo contemporâneo e para esse novo mundo do trabalho que apresenta um conjunto de desafios", afirmou.
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Na prática, o STF vai decidir a natureza da relação de trabalho entre plataformas e motoristas e entregadores de aplicativos.
No início de outubro do ano passado, o STF fez sessões para discutir o tema e ouvir sustentações orais das partes e de entidades interessadas.
"Nós fizemos audiências públicas, instruímos o processo, ouvimos os mais diversos setores interessados, tivemos também uma interlocução, um diálogo republicano importante com o parlamento e mais uma vez com entidades públicas e privadas", pontuou Fachin no vídeo.
Carro de Uber, aplicativo, transporte
Erik Mclean/Pexels
Recurso
A Uber entrou com recurso, relatado por Fachin, contestando decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que reconheceu vínculo de emprego de uma motorista.
Estará em julgamento também outro questionamento, esse relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, no qual a Rappi questiona decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 3ª Região de Minas Gerais que reconheceu vínculo empregatício de um motofretista.
Plataformas de tecnologia
As empresas sustentam que atuam como plataformas tecnológicas de intermediação, sem subordinação direta dos trabalhadores.
Segundo os recursos, a Uber argumenta que reconhecer vínculo empregatício poderia reduzir em 52% os postos de trabalho e elevar em 34% o preço médio das viagens.
A Rappi alegou que é uma plataforma digital que não transporta nem vende, apenas faz a intermediação entre vendedores, clientes e motociclistas que transportam os produtos.
Já os representantes dos trabalhadores afirmam que as plataformas exercem controle sobre tarifas, trajetos, metas e punições, o que caracterizando vínculo e subordinação.
A Advocacia-Geral da União (AGU) defendeu que o STF, determine que sejam garantidos direitos mínimos, como piso remuneratório, limite diário de horas de conexão, recolhimento de contribuições previdenciárias e seguro de vida, sem inviabilizar a inovação tecnológica.
A Defensoria Pública da União (DPU) também vê vínculo e subordinação.
Já procurador-geral da República, Paulo Gonet, tem opinião contrária. E se manifestou contra o reconhecimento automático de vínculo trabalhista entre motoristas e plataformas.
Segundo Gonet, o reconhecimento do vínculo poderia contrariar entendimentos anteriores do próprio STF relacionados à livre iniciativa e à liberdade econômica.
O julgamento é considerado um dos mais importantes do STF porque terá grandes repercussões trabalhistas e na economia digital.