Ex-presidente argentina Cristina Kirchner depõe em novo julgamento; MP fala em 'maior caso de corrupção' do país
17/03/2026
(Foto: Reprodução) Ex-presidente argentina Cristina Kirchner, que governou o país entre 2007 e 2015, acena para apoiadores da varanda de seu apartamento durante prisão domiciliar. Foto de 26 de outubro de 2025.
Emiliano Lasalvia/AFP
A ex-presidente argentina Cristina Kirchner, condenada a seis anos por corrupção, voltou aos tribunais nesta terça-feira (17) para um novo julgamento no qual também é ré. Mesmo em prisão domiciliar, Kirchner responde a um processo que a acusa de integrar uma suposta rede de subornos entre políticos e empresários nos anos 2000.
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A ex-mandatária de 73 anos, que governou a Argentina entre 2007 e 2015, já cumpre prisão domiciliar desde junho e usa tornozeleira eletrônica.
O novo julgamento, segundo o Ministério Público argentino, é o maior caso de corrupção na história do país (leia mais abaixo). Na suposta fraude, que ficou conhecida como "caso dos cadernos", Kirchner é acusada de liderar uma associação criminosa que teria arrecadado dinheiro de empresários beneficiados com a adjudicação de contratos estatais.
Outros 85 ex-funcionários públicos e empresários são apontados como parte de uma "associação ilícita" ao lado de Kirchner para receber propinas em contratos de obras públicas. Segundo a acusação, a ex-presidente foi "a principal destinatária" do esquema iniciado durante o governo de seu marido, o também ex-presidente argentino Néstor Kirchner.
A audiência desta terça foi sua primeira declaração presencial no novo julgamento, que até então ocorria por videoconferência. Na sessão, Kichner negou a acusação e afirmou que o promotor responsável pelo caso de extorsão e de receber propina para tentar inocentar réus de processos.
Antes do depoimento, centenas de apoiadores se reuniram diante de sua residência em Buenos Aires com bandeiras e cartazes, incluindo uma faixa com a mensagem "Cristina livre". Ela acenou antes de seguir para o tribunal.
A defesa nega as acusações e contesta a principal prova, anotações de um motorista sobre supostos pagamentos.
Em mensagem na rede social X, Kirchner chamou o processo de "farsa processual" e afirmou: "Como não há pão, há circo". Se for condenada, pode pegar até dez anos de prisão.
A ex-presidente peronista, de 73 anos, já se encontra em prisão domiciliar e inabilitada para exercer cargos públicos desde junho do ano passado, quando foi confirmada sua condenação a seis anos de prisão em outro caso de administração fraudulenta na concessão de obras públicas na província de Santa Cruz, no sul do país.
Veja, abaixo, imagens de quando a ex-presidente argentina começou a cumprir prisão domiciliar, em junho de 2025:
Cristina Kirchner começa a cumprir pena em prisão domiciliar
Ela cumpre sua pena com tornozeleira eletrônica em seu apartamento em um bairro central de Buenos Aires. Lá, recebe políticos aliados, saúda seus simpatizantes da varanda e publica no X suas críticas à política ultraliberal do presidente Javier Milei.
'Caso dos cadernos'
A defesa de Kirchner alega que as anotações desses cadernos foram modificadas em mais de 1.500 ocasiões, nas quais nomes, datas e endereços foram alterados.
O julgamento do chamado "caso dos cadernos" baseia-se em uma série de anotações que supostamente foram feitas durante anos por um motorista do Ministério do Planejamento, que registrava em cadernos trajetos, nomes de funcionários, empresários e as supostas quantias de dinheiro que transportava.
O advogado da ex-presidente, Gregorio Dalbón, classificou recentemente o caso como "a maior vergonha judicial que a democracia já teve" e afirmou que a sentença contra Kirchner "já está escrita".
Embora o processo não aponte um valor total, meios de comunicação, entre eles o jornal argentino "La Nación", e alguns investigadores estimam que as operações envolveram dezenas de milhões de dólares.
Além de Kirchner, vão a julgamento 19 ex-funcionários, dois motoristas e 65 empresários. Espera-se que o processo se estenda por pelo menos dois anos.
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