Em Munique, mundo busca respostas à 'destruição' de Trump

  • 13/02/2026
(Foto: Reprodução)
Representantes de 120 países estarão presentes no evento que acontece no histórico hotel Bayerischer Hof. Picture alliance/dts-Agentur via DW Mais para desanimador do que para esperançoso. Assim poderia ser descrito o clima predominante entre os líderes europeus em meio à Conferência de Segurança de Munique deste ano, que começa nesta sexta-feira (13) e vai até o próximo domingo. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Pouco mais de um ano após Donald Trump iniciar seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos, a relação transatlântica com a Europa é considerada despedaçada. A política externa disruptiva de Trump lança uma sombra sobre o evento internacional de segurança mais importante do mundo, que ocorre na capital bávara, no sul da Alemanha. Destruição como marca central O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante reunião com o secretário-geral da Otan, em 21 de janeiro de 2026 REUTERS/Jonathan Ernst Há décadas que a conferência se define como transatlântica. Hoje, porém, reina o que seu presidente, Wolfgang Ischinger, descreve como uma "crise de credibilidade e confiança sem precedentes". O Relatório de Segurança de Munique, publicado anualmente às vésperas do encontro, traz nesta edição um título revelador: "Em destruição". No documento, Donald Trump é classificado como líder de uma categoria dos "homens da demolição", chefes de Estado que, com uma "política de bola de demolição", destroem regras vigentes e instituições respeitadas. A observação de Trump de que ele "não precisa de direito internacional" é apenas mais uma prova disso. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Apesar do cenário mais tenso do que nunca, a conferência – fundada há mais de 60 anos – segue se apresentando como fórum de troca e diálogo. Entre os cerca de mil participantes, estarão presentes nada menos que 200 representantes de governos de 120 países. Entre os líderes mundiais esperados no histórico hotel Bayerischer Hof, estão: o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky; o presidente francês, Emmanuel Macron; o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz; o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi; a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen. Esta última confrontou Trump com firmeza recentemente, quando ele reivindicou a posse da Groenlândia, que é um território autônomo pertencente à Dinamarca. Mesmo assim, Mette e o premiê groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, vão se reunir nesta sexta-feira com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, às margens da conferência. EUA enviam o Marco Rubio Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, presta depoimento sobre operação militar na Venezuela em audiência no Senado dos EUA, em Washington D.C., em 28 de janeiro de 2026. REUTERS/Jonathan Ernst Apesar das tensões, uma grande delegação americana estará presente novamente, agora sob liderança do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Ischinger disse esperar que Rubio "fale sobre a política externa americana, e não sobre temas que não dizem respeito diretamente ao seu ministério" – uma referência clara ao discurso incendiário do vice-presidente JD Vance no ano passado, em que criticou uma suposta falta de liberdade de expressão na Europa. Vance, que gerou forte desconforto na ocasião, não foi convidado desta vez. A delegação dos EUA, porém, não se limita a aliados de Trump. Entre os participantes estará Gavin Newsom, governador da Califórnia e firme opositor do presidente americano. Em Davos, Newsom já havia cobrado os europeus por mais firmeza diante de Trump, acusando-os de cederem depressa demais. Europa frente a uma nova era de afirmação? Presidente da França, Emmanuel Macron, aparece vestindo óculos escuros em discurso no Fórum Econômico de Davos em 20 de janeiro de 2026. REUTERS/Denis Balibouse A fala de Newsom toca no centro nevrálgico de uma questão que deve dominar a conferência deste ano: como a Europa deve se reposicionar diante da nova ordem global – e qual papel cabe à Alemanha nesse contexto? Este será o tema do discurso do chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, que nesta sexta-feira se encarregará da abertura da conferência – pela primeira vez como chefe de governo. Em uma recente declaração no Parlamento alemão, Merz convocou os europeus a "aprenderem a linguagem da política de poder". Isso inclui fortes investimentos na defesa europeia e o estabelecimento de novas parcerias estratégicas. Merz afirmou ainda que há "democracias emergentes, com mercados abertos e em crescimento, que buscam exatamente o que temos a oferecer". E acrescentou, dirigindo-se aos EUA: "Como democracias, somos parceiros e aliados, não subordinados." Em Munique, Merz deve discorrer mais sobre essas ideias – e certamente marcar o tom de um debate que vê a crise atual como catalisadora de mudanças estratégicas. LEIA TAMBÉM: Macron diz que Europa não se curvará a Trump: 'Não é o momento para imperialismos' Em Davos, Trump insiste em compra da Groenlândia e diz que não fará uso da força, mas ameaça Europa e Otan O que é o 'teste de Narva', símbolo da tensão entre Europa e EUA sobre papel da Otan em caso de conflito Membros do regime iraniano não são bem-vindos Ali Khamenei e Donald Trump Gabinete do Líder Supremo do Irã via AP; AP Photo/Evan Vucci Convites para a Conferência de Segurança de Munique são cobiçados, mas distribuídos com critério. Diferentemente de anos anteriores, representantes do governo iraniano não foram convidados desta vez, por causa da repressão violenta às recentes manifestações no país. Em compensação, membros da oposição e da sociedade civil iraniana terão espaço no evento. A guerra da Rússia contra a Ucrânia será novamente tema central, mas nenhum representante do governo russo estará presente. Em 2022, pouco antes do ataque em larga escala contra a Ucrânia, a delegação russa cancelou sua participação. Desde então, segundo Ischinger, não houve "qualquer sinal de Moscou". Quanto a negociações de paz, Ischinger afirmou que a Rússia "finge estar disposta a negociar, enquanto continua aterrorizando civis ucranianos". O Prêmio Ewald‑von‑Kleist, da Conferência de Segurança de Munique, será concedido não a uma personalidade, mas sim "ao corajoso povo ucraniano". Políticos da AfD voltam a ser convidados O partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) ficou de fora do evento nos últimos dois anos. Ischinger, no entanto, decidiu mudar a linha adotada por seu antecessor e não excluir mais o maior partido de oposição do Parlamento alemão. Três parlamentares da sigla foram convidados, mas sem espaço nos palcos principais da conferência. Na edição anterior, a AfD havia denunciado sua exclusão como discriminação e chegou a recorrer à Justiça, mas perdeu.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/02/13/conferencia-seguranca-munique-mundo-busca-resposta-a-destruicao-de-trump.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

No momento todos os nossos apresentadores estão offline, tente novamente mais tarde, obrigado!

Top 5

top1
1. Divas de Baton

Lucas Cardri

top2
2. Daqui Pra Sempre

Manu Batidão e Simone Mendes

top3
3. E lá vou eu

Banda Mel

top4
4. Oi sumida

Carllos Brenner

top5
5. Alfabeto do negão

Banda Reflexus

Anunciantes