Em julgamento, filha de Maradona diz que família sofreu 'manipulação total' pela equipe médica do pai
21/04/2026
(Foto: Reprodução) Fãs de Maradona seguram uma faixa que diz ''Justiça para Deus''
REUTERS/Agustin Marcarian
Uma das filhas de Diego Maradona, Gianinna, denunciou nesta terça-feira (21), no julgamento sobre as circunstâncias da morte de seu pai em 2020, uma “manipulação total e horrível” da família pela equipe médica que acompanhava a lenda do futebol argentino nas últimas semanas de vida.
“A manipulação foi total e horrível, eu me sinto como uma idiota”, declarou Gianinna, de 36 anos.
Segundo o jornal local Clarín, ela apontou para três dos acusados julgados em San Isidro, perto de Buenos Aires, por negligências potencialmente fatais: o neurocirurgião Leopoldo Luque, a psiquiatra Agustina Cosachov e o psicólogo Carlos Díaz.
“Eu confiei nessas três pessoas e tudo o que fizeram foi nos manipular e deixar meu filho sem avô”, disse durante a audiência.
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Sete profissionais de saúde (médico, psiquiatra, psicólogo e enfermeiros) estão sendo julgados por sua possível responsabilidade na morte de Maradona.
O jogador faleceu aos 60 anos em decorrência de uma crise cardiorrespiratória e de um edema pulmonar, sozinho em sua cama em uma residência alugada, onde estava em recuperação após uma neurocirurgia sem complicações.
No depoimento, Gianinna disse que a internação domiciliar intensiva de Maradona foi uma recomendação de Luque.
"Ele explicou que, se isso não funcionasse, tinha outra opção, mas que primeiro deveríamos tentar a internação domiciliar, que naquele momento era a melhor opção. Não foi uma decisão tomada da noite para o dia. Com a perspectiva que tenho hoje, ouvindo as gravações, não consigo imaginar que estivessem planejando algo diferente”, afirmou.
Gianinna relatou as últimas vezes que viu seu pai, nos dias 17 e 18 de novembro, uma semana antes de sua morte.
Segundo ela, o psicólogo Díaz pediu para que Maradona não recebesse visitas, para que não fosse "sobrecarregado" e para "lhe dar espaço".
No final do relato, a filha do jogador contou como foi o período após a morte do pai.
“Eles tentaram me culpar, até mesmo outro dia, quando ouvi na imprensa que estavam tentando me culpar por não ter encontrado um médico, e a cada momento, quando os áudios vieram à tona, havia tantas pessoas tentando transferir a culpa para nós, nos responsabilizar", disse.
"Além do que conversamos, eles tinham toda uma estratégia em andamento em paralelo, e naquela época eu não conseguia entender como alguém poderia ser uma pessoa má ou pensar tão rápido que estava fazendo tudo errado. Eles estavam com medo”, concluiu Gianinna.
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Primeiro julgamento anulado
Justiça argentina anula julgamento de equipe médica acusada de negligência na morte de Diego Maradona
O depoimento faz parte de um novo julgamento sobre a morte de Diego Maradona. O primeiro foi anulado em maio de 2025, após a revelação de que a juíza Julieta Makintach participou de um documentário não autorizado sobre o caso.
A juíza renunciou ao cargo epois que um vídeo veio à tona mostrando-a sendo entrevistada por uma equipe de filmagem nos corredores do tribunal e em seu escritório, violando as regras judiciais.
O novo julgamento tem exigido que tanto os promotores quanto os advogados de defesa reavaliem suas estratégias depois que o primeiro julgamento exibiu fotografias, vídeos, gravações de áudio e provas forenses.
No julgamento inicial, os promotores argumentaram que os profissionais da área médica violaram os protocolos de tratamento e que a casa onde Maradona estava se recuperando de uma cirurgia se assemelhava a um "teatro de horror", onde os cuidados necessários não foram prestados.
A defesa argumentou que sua morte era inevitável devido a problemas de saúde de longa data. Maradona lutou durante décadas contra o vício em cocaína e álcool.
As acusações de negligência surgiram em 2021, depois que os promotores nomearam uma junta médica para investigar a morte de Maradona. O painel concluiu que sua equipe médica agiu de forma "inadequada, deficiente e imprudente".
São réus:
a psiquiatra Agustina Cosachov;
o neurocirurgião Leopoldo Luque;
o psicólogo Carlos Ángel Díaz;
a médica Nancy Edith Forlini;
o enfermeiro Ricardo Almirón;
o enfermeiro-chefe Mariano Ariel Perroni;
o médico Pedro Pablo Di Spagna.
Se condenados, eles podem pegar penas de prisão que variam de 8 a 25 anos.
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