Discurso de Trump no Congresso tem ameaça ao Irã, defesa do domínio dos EUA nas Américas e bate-boca sobre imigração

  • 24/02/2026
(Foto: Reprodução)
Trump diz preferir diplomacia, mas volta a ameaçar o Irã O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez nesta terça-feira (24) o tradicional discurso do “Estado da União”. Em tom de ameaça, ele mandou um recado ao Irã, defendeu o domínio americano no hemisfério ocidental e um bate-boca sobre imigração. Com cerca de 1 hora 48 minutos de duração, a fala foi a mais longa já registrada nessa tradição. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp ▶️ Contexto: O discurso no Congresso foi feito em meio à queda na aprovação do presidente. Aliados temem que os índices influenciem as eleições de meio de mandato. Também conhecidas como “midterms”, as eleições estão marcadas para 3 de novembro. Toda a Câmara será renovada. No Senado, um terço das cadeiras estará em disputa. Atualmente, as duas Casas são controladas pelos republicanos, partido de Trump. Pesquisas indicam que o governo pode perder ao menos uma delas. A política externa esteve entre os destaques. Trump citou o Irã, acusou o regime de tentar desenvolver uma arma nuclear e disse que prefere resolver a questão pela via diplomática. Ele ressaltou, no entanto, que jamais permitirá “que o maior patrocinador do terrorismo no mundo” obtenha uma. “Nenhuma nação deve jamais duvidar da determinação da América. Temos as Forças Armadas mais poderosas da Terra”, afirmou. “Espero que raramente precisemos usá-las. Isso se chama paz por meio da força.” “Como presidente, buscarei a paz sempre que possível, mas nunca hesitarei em enfrentar ameaças aos Estados Unidos onde for preciso.” 🔎 Ainda no discurso: Sobre o Irã: Trump afirmou que o país busca desenvolver mísseis capazes de atingir os Estados Unidos. Venezuela e Américas: o presidente citou a captura de Nicolás Maduro e defendeu o domínio americano no hemisfério ocidental. Imigração: o republicano relatou casos de cidadãos americanos vítimas de imigrantes ilegais, pediu novas leis e bateu boca com democratas que se opõem às políticas. Economia: o norte-americano exaltou o próprio governo, disse que herdou o país em crise e criticou a decisão da Suprema Corte que derrubou tarifas contra outros países. Bateu recorde: Trump fez o discurso mais longo da história do “Estado da União”. A seguir, veja em detalhes cada uma dessas declarações. Recado ao Irã O presidente dos EUA, Donald Trump, faz o discurso do Estado da União no plenário da Câmara do Capitólio dos Estados Unidos Kevin Lamarque/Reuters Trump citou a questão do Irã durante o discurso do Estado da União. Os dois países vivem um aumento de tensões em meio às negociações para um acordo que busca limitar o programa nuclear iraniano. Os EUA querem que o Irã limite ou encerre o programa de enriquecimento de urânio. O Irã afirma que a iniciativa tem fins pacíficos, mas a Casa Branca acusa o país de tentar desenvolver uma arma nuclear. Segundo a imprensa americana, os EUA também querem restringir o alcance dos mísseis balísticos iranianos e encerrar o apoio do país a grupos armados no Oriente Médio. No discurso, Trump relembrou os ataques feitos pelos EUA contra o Irã em junho de 2025. Ele afirmou que, na ocasião, as forças americanas destruíram um suposto programa de armas nucleares do país. Segundo o presidente, o Irã foi avisado de que não deveria retomar o programa nuclear. Ainda assim, ele afirmou que o país “voltou a perseguir suas ambições nucleares”. “Eles já desenvolveram mísseis capazes de ameaçar a Europa e nossas bases no exterior e trabalham para construir mísseis que em breve poderão alcançar os Estados Unidos”, disse. “Minha preferência é resolver esse problema por meio da diplomacia, mas uma coisa é certa: jamais permitirei que o maior patrocinador do terrorismo no mundo tenha uma arma nuclear”, continuou. “Como presidente, buscarei a paz sempre que possível, mas nunca hesitarei em enfrentar ameaças aos Estados Unidos onde for preciso.” LEIA TAMBÉM Trump diz que Irã quer arma nuclear e mísseis capazes de atingir os EUA em discurso do 'Estado da União' Deputado democrata é retirado por protestar em discurso de Trump VÍDEO: Lula ganha luva com quatro dedos durante viagem à Coreia do Sul Venezuela, Maduro e domínio americano O presidente dos EUA, Donald Trump, faz o primeiro discurso do Estado da União de seu segundo mandato Kenny Holston/Pool via Reuters Trump citou a operação dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. O ex-ditador venezuelano foi levado a Nova York, onde está preso e deve ser julgado nos próximos meses. Segundo o presidente, a operação foi “uma vitória colossal” para a segurança dos Estados Unidos e possibilitou um “novo começo para a população da Venezuela”. Trump afirmou que está trabalhando com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, para promover ganhos econômicos para os dois países. Ele também elogiou a soltura de prisioneiros políticos e levou um deles ao Congresso para reencontrar a sobrinha, Alejandra Gonzalez. Além disso, o presidente disse que está restaurando o domínio dos EUA no hemisfério ocidental. Segundo ele, o objetivo é garantir a segurança e os interesses norte-americanos, além de defender o país contra violência, drogas, terrorismo e interferência externa. Ainda sobre política externa, Trump: disse que encerrou oito guerras — afirmação contestada por especialistas; comemorou o cessar-fogo na Faixa de Gaza; afirmou que está trabalhando para encerrar a guerra entre Ucrânia e Rússia. Imigração e bate-boca A deputada democrata Ilhan Omar, de Minnesota, reage ao discurso de Trump no Congresso Kenny Holston/Pool via REUTERS Ainda no discurso, Trump voltou a atacar imigrantes em situação irregular e afirmou que a imigração sem limites estaria importando corrupção e criminalidade para os EUA. Em um momento de tensão, ele citou a comunidade somali no estado de Minnesota, acusando autoridades e imigrantes de envolvimento em fraudes e crimes. Durante o discurso, a transmissão chegou a mostrar a deputada democrata Ilhan Omar, que representa Minnesota e é de origem somali. O estado é o mesmo onde operações para deter imigrantes irregulares resultaram na morte de dois cidadãos americanos, em janeiro deste ano. Em provocação à oposição, Trump pediu que se levantasse quem defendia que o governo priorizasse cidadãos americanos, e não imigrantes ilegais. Os democratas permaneceram sentados, e o presidente disse que eles deveriam se envergonhar. Houve um breve bate-boca no plenário, e Omar gritou que Trump era um mentiroso. O presidente também relatou uma série de crimes cometidos por imigrantes irregulares e usou as histórias para defender medidas mais rígidas. Entre elas, pediu ao Congresso a aprovação do que chamou de “Lei Dalilah”, que proibiria estados de conceder carteiras de motorista a imigrantes ilegais. 🔎 Dalilah faz referência a Dalilah Coleman. Em 2024, quando tinha 5 anos, o carro em que ela estava se envolveu em um acidente com um caminhão dirigido por um imigrante ilegal, segundo Trump. Ela sobreviveu. Além disso, Trump pediu que o Congresso aprove um projeto de lei que exige documento de identidade e comprovação de cidadania nas eleições. Democratas da oposição prometem barrar a proposta no Senado. O presidente também pediu a aprovação de uma lei que acaba com as chamadas “cidades-santuário”. Esses locais adotam políticas que limitam a cooperação com autoridades federais de imigração e se tornaram alvo de batidas de agentes do governo nos últimos meses. Por fim, Trump acusou adversários de terem permitido uma “invasão” na fronteira. Ao mesmo tempo, fez um aceno a estrangeiros que queiram viver legalmente nos Estados Unidos. “Sempre permitiremos a entrada legal de pessoas que amem nosso país e trabalhem duro para mantê-lo”, disse. Economia Trump diz que 'EUA estão de volta' e faz críticas ao governo Biden Trump usou os primeiros 40 minutos do discurso para falar sobre dados da economia. Logo na abertura, ele exaltou o próprio governo afirmando que os “Estados Unidos estão de volta, maiores, melhores, mais ricos e mais fortes do que nunca”. O presidente norte-americano também criticou o governo anterior, de Joe Biden, e disse que assumiu o país em crise. “Posso dizer, com dignidade e orgulho, que alcançamos uma transformação como ninguém jamais viu antes, uma virada que ficará para a história”, declarou. “É, de fato, uma virada histórica.” Trump também destacou indicadores econômicos. Segundo ele, a inflação está em queda, a renda em alta e a economia em recuperação. O presidente afirmou ainda que a produção de energia bate recordes. Ele elogiou o megapacote aprovado em julho que reduz impostos, mas aumentou a dívida nacional. O presidente também criticou os democratas, que votaram contra o projeto. Segundo ele, a oposição quer “machucar as pessoas” com impostos altos. Trump ainda atacou a decisão da Suprema Corte que derrubou tarifas impostas a outros países — entre eles o Brasil — com base em uma lei de emergência da década de 1970. Ele classificou a decisão como “frustrante”. Os juízes acompanharam a fala no plenário. Após a decisão, anunciou uma nova taxa global de 15% sobre produtos importados. No discurso, ele afirmou que a medida poderá substituir o atual sistema de imposto de renda e aliviar a carga tributária dos americanos. Trump também defendeu que as tarifas ajudaram a evitar conflitos internacionais. A economia já era esperada como tema central da fala, diante da preocupação dos eleitores com o custo de vida. Pesquisa divulgada pela Associated Press indica que 39% aprovam a condução da política econômica do presidente. Discurso mais longo O presidente dos EUA, Donald Trump, faz o discurso do Estado da União nesta terça (24) J. Scott Applewhite/Reuters Com cerca de 1 hora e 48 minutos de duração, Trump fez o discurso sobre o Estado da União mais longo da história. Ele superou a marca registrada por Bill Clinton em 2000, que falou por 1 hora, 28 minutos e 49 segundos. No ano passado, Trump discursou por 1 hora, 39 minutos e 32 segundos. Como ainda estava no primeiro ano de governo, porém, a fala não é considerada oficialmente um Estado da União, mas uma sessão conjunta do Congresso. O discurso do Estado da União é realizado desde 1790, quando o presidente George Washington fez uma fala breve, com pouco mais de mil palavras. Ao longo dos anos, a tradição mudou, e os pronunciamentos se tornaram mais longos e mais voltados para a televisão. Em 1801, Thomas Jefferson decidiu romper com a prática de falar pessoalmente ao Congresso e passou a enviar a mensagem por escrito. O formato foi mantido por mais de um século. Apenas em 1913, Woodrow Wilson retomou o modelo presencial. Em 1947, o presidente Harry Truman foi o primeiro a fazer o discurso com transmissão pela televisão. Quase 20 anos depois, em 1965, o presidente Lyndon Johnson decidiu realizá-lo em horário nobre para ampliar a audiência. Com o aumento da polarização, tornou-se comum que congressistas do partido do presidente se levantem para aplaudi-lo, enquanto os opositores permanecem sentados — e, em alguns casos, fazem provocações. Biden, por exemplo, foi chamado de mentiroso por uma deputada em 2023. VÍDEOS: mais assistidos do g1

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/02/24/estado-da-uniao-trump-discurso-congresso.ghtml


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