'Decapitação' do regime: entenda por que estratégia contra o Irã é falha e veja principais baixas

  • 21/03/2026
(Foto: Reprodução)
Irã confirma a morte de Ali Larijani em ataque de Israel Desde o primeiro ataque da Guerra no Irã, em 28 de fevereiro, Israel tem matado figuras de alto escalão do regime de Teerã – a começar pelo líder supremo, Ali Khamenei, a maior autoridade do país. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Nesta semana, a baixa mais relevante foi a morte de Ali Larijani. Oficialmente, ele ocupava o posto de secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, mas EUA e Israel acreditam que era Larijani que chefiava de fato o Irã desde a morte de Ali Khamenei. Enquanto os EUA se concentram em outros alvos, como a indústria de petróleo do país, os ataques contra autoridades têm sido feitos, em sua grande maioria, por Israel. A estratégia de "decapitação" — no sentido figurado, de buscar matar as lideranças inimigas — não é comum nas guerras modernas, como explica Carlos Gustavo Poggio, cientista político e professor do Berea College, dos EUA. "'Decapitação' é uma estratégia que muitas vezes é aplicada contra grupos armados, ou grupos terroristas. Quando você vai decapitar a liderança nesse grupo armado, esse grupo armado é hierárquico, portanto você consegue enfraquecê-lo bastante." Ele afirma que um Estado, por sua vez, é um organismo mais complexo do que um grupo armado, já que estrutura toda uma sociedade. Bandeiras iranianas com um cartaz retratando o líder do país, Ali Khamenei, ao fundo. Getty Images via BBC "A gente viu pouquíssimas vezes na história um chefe de estado ser morto por uma nação estrangeira, ainda mais nessas condições que nós vimos acontecer agora. É algo inadequado, porque o regime continua de pé, a capacidade de retaliação continua e muitas vezes esse tipo de ação pode levar a um efeito inverso, da população se revoltar contra quem está atacando, eventualmente endurecer o regime, em vez de quebrá-lo", diz Poggio. É o que parece ser o caso do Irã. O regime não apenas não caiu, como o filho de Ali, Mojtaba Khamenei — um clérigo "linha-dura" — foi escolhido como novo líder supremo, dando continuidade ao regime dos aiatolás. Demétrio Magnoli, comentarista da GloboNews, aponta para um caminho semelhante após a morte de Ali Larijani. "O sistema de poder iraniano está preparado para a substituição de dirigentes”, disse Magnoli, ao podcast O Assunto de quarta-feira (18). “Larijani era o chefe de fato do Irã e um pragmático, que servia como ponte entre correntes políticas mais moderadas e os setores radicais do clero e da Guarda Revolucionária. Parece que se opôs à escolha de Mojtaba Khamenei, em busca de algum canal de negociação". "Sua eliminação abre caminho para a ascensão de líderes mais radicais, dispostos a conduzir a guerra às suas últimas consequências", completa. Carlos Poggio analisa a guerra do ponto de vista tático (no curto prazo) e estratégico (no longo prazo). Para o professor, "do ponto de vista tático, essa estratégia [de 'decapitação'] está funcionando. Conseguiram enfraquecer o Irã." "A grande questão é qual o objetivo político final disso. Por um lado, isso não está claro e, por outro, eu não sei se os objetivos de EUA e Israel são os mesmos", ele conclui. Veja, a seguir, os principais nomes de autoridades assassinadas por Israel no Irã – e os que estão vivos. Mortos por Israel Líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, discursa em Teerã em 17 de fevereiro de 2026. Gabinete do líder supremo do Irã/Wana Handout via REUTERS Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo Principal figura política e maior autoridade do país desde 1989, quando se tornou líder supremo, Ali Khamenei foi morto na primeira leva de ataques de EUA e Israel, em 28 de fevereiro. Ele estava em sua residência junto a membros de sua família quando foi alvo de um míssil. Ali Larijani REUTERS/Thaier Al-Sudani Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional À frente do cargo do conselho responsável pelas decisões militares e de relações exteriores, Larijani era o chefe de fato do regime desde a morte de Ali Khamenei. Uma das principais figuras dos bastidores da política iraniana e considerado um moderado, ele foi alvejado no início da manhã de terça-feira (17) por um ataque israelense. O comandante das forças terrestres da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, Brigadeiro-General Mohammad Pakpour, participa de um desfile militar como parte da cerimônia que marca o dia anual do exército do país, em Teerã, em 17 de abril de 2024. ATTA KENARE/AFP Mohammad Pakpour, chefe da Guarda Revolucionária do Irã Pakpour liderava um dos braços militares mais poderosos do Irã, a Guarda Revolucionária – criada para proteger a Revolução de 1979 e, na prática, um exército paralelo com sua própria marinha, força aérea e tropas terrestres. Ele foi um dos primeiros alvos de Israel e morreu em 28 de fevereiro, em Teerã. O comandante-em-chefe do Exército do Irã, major-general Abdolrahim Mousavi, observa durante um exercício militar em local não divulgado no Irã, nesta imagem divulgada em 25 de agosto de 2022. Exército iraniano/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental)/Divulgação via REUTERS Abdol Rahim Mousavi, chefe do Estado-Maior Outro alvo de Israel morto nos ataques de 28 de fevereiro, Mousavi respondia diretamente ao líder supremo, Ali Khamenei. Ele havia assumido o posto após a morte do antecessor, Mohammad Bagheri, também por Israel, na Guerra dos Doze Dias em junho de 2025. Aziz Nasir-Zadeh, ministro da Defesa O ministro do governo do presidente Masoud Pezeshkian foi mais um dos alvos do alto escalão militar nos ataques de 28 de fevereiro. Gholam Reza Soleimani, chefe das Forças Basij Soleimani comandava um destacamento da Guarda Revolucionária do Irã formado por voluntários, as forças Basij. Elas realizavam patrulhamento das ruas e tiveram papel importante na repressão aos protestos de janeiro. Soleimani foi morto no mesmo dia que Larijani. Entre outros altos funcionários assassinados nos ataques estão: Mohammad Shirazi, chefe do Gabinete Militar do Líder Supremo Ali Shamkhani, assessor do líder supremo para assuntos de segurança e secretário do Conselho de Defesa Hassan Ali-Tajib, chefe do Departamento de Logística das Forças Armadas Gholam-Reza Rezaeian, chefe da Diretoria de Inteligência das Forças de Segurança Internas Hossein Jabal Amelian, chefe da Organização de Inovação e Pesquisa em Defesa Reza Motafari-Nia, ex-chefe da Organização de Inovação e Pesquisa em Defesa Saleh Asadi, chefe da diretoria de Inteligência do comando de emergência "Khatam al-Anbiya" Jalali Hossein, chefe da Diretoria de Espionagem do Ministério da Inteligência Yahya Hamdi, vice-ministro da Inteligência para Assuntos de Israel Akbar Ebrahim-Zadeh, chefe em exercício do Escritório Militar do Líder Supremo Bahram Hosseini Motlaq, chefe do Departamento de Operações e Planejamento das Forças Armadas Quem está vivo Mojtaba Khamenei, novo líder supremo do Irã, durante um comício em Teerã, Irã, em 31 de maio de 2019 Hamid Forootan/ISNA/WANA via Reuters Mojtaba Khamenei, líder supremo Filho de Ali Khamenei, o aiatolá foi escolhido para suceder o pai como maior autoridade do país. Ele estava junto da família durante os ataques de 28 de fevereiro e, além do pai, também perdeu a mulher e um filho, entre outros familiares. Há relatos de que ele teria ficado ferido na ação. Mojtaba não fez aparições públicas desde o início da guerra. Masoud Pezeshkian, presidente No Irã, o cargo de chefe do Executivo tem um peso menor, já que todas as decisões passam pelo crivo do líder supremo e do alto clero. Ainda assim, Pezeshkian exerce poder político limitado e não parece ter sido alvo de ataques israelenses. Ele é visto como um moderado dentro do regime dos aiatolás. Abbas Araqchi, ministro das Relações Exteriores O chanceler trabalhava nas negociações de um acordo nuclear com os EUA quando americanos e Israel iniciaram a guerra contra Teerã. Ele deu entrevistas após o início do conflito, condenando a atitude de Washington e Tel Aviv.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/21/decapitacao-do-regime-israel-matou-mais-de-20-lideres-do-ira-desde-inicio-da-guerra-veja-as-principais-baixas.ghtml


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