'Crise Master' no STF: Lula volta a defender reforma no Judiciário e diz que todos devem seguir a lei independente do cargo
04/09/2026
(Foto: Reprodução) Evento no Palácio do Planalto para reunir recursos para o Judiciário.
Marcione Santana/ TV Globo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender nesta sexta-feira (4) uma reforma no Poder Judiciário e afirmou que pretende discutir mudanças na estrutura da Justiça brasileira ao longo do próximo ano, se for reeleito.
Ao discursar durante cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente disse que a medida é necessária para fortalecer a confiança da população nas instituições. Mencionou também que todos, independentemente do cargo, devem seguir a lei (entenda mais abaixo).
O petista lembrou que seu governo foi responsável pela reforma do Judiciário aprovada em seu primeiro mandato e afirmou que o tema precisa voltar ao centro do debate.
"Eu sinceramente tenho o prazer e o orgulho de ter sido o presidente da República da primeira reforma do Judiciário, com Márcio Thomaz Bastos na Justiça e o nosso querido Nelson Jobim na presidência da Suprema Corte. E tenho certeza de que faremos no próximo ano uma discussão profunda sobre a necessidade de uma nova reforma do Poder Judiciário brasileiro", declarou.
Lula diz que país não pode 'ficar refém' de vazamentos seletivos e defende reforma no Judiciário
Segundo Lula, o objetivo é reforçar a credibilidade da Justiça perante a população em um momento de desgaste das instituições.
"Para que o povo possa continuar acreditando na Justiça", afirmou.
Vantagens pelo cargo
O presidente também disse que nenhuma autoridade pode usar o cargo público para obter vantagens pessoais e defendeu que todos estejam submetidos às mesmas regras.
"Ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal. Ninguém. Todo mundo tem que estar subordinado aos mesmos trâmites da legislação", declarou.
Lula afirmou que a atual crise envolvendo o Judiciário exige uma resposta das instituições responsáveis pela condução das investigações.
O petista citou diretamente o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet (entenda mais a seguir).
Ambos estavam presentes na ocasião. Enquanto Gonet não tratou sobre o assunto em sua fala, Fachin pediu licença para abordar o assunto. Mencionou que os fatos estão sendo apurados e prometeu o fim do inquérito das fake news.
"A Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República estão com muita expectativa da sociedade brasileira. Está nas suas costas e nas costas do Paulo Gonet a responsabilidade de passar o mínimo de tranquilidade sem tentar esconder absolutamente nada", declarou Lula.
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'Crise Master' no STF
As declarações do presidente da República — que concorre ao cargo pela quarta vez nas eleições deste ano — ocorrem em meio à crise enfrentada pelo sistema de Justiça após as revelações relacionadas ao caso Banco Master.
Em pronunciamento divulgado na quarta (3), Lula afirmou que o país não pode ficar "refém de vazamentos seletivos", defendeu a apuração dos fatos "sem blindagem de ninguém" e voltou a defender mudanças no funcionamento do Judiciário.
Já nesta sexta (4), durante cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente voltou ao tema.
"Se não tiver instituições sólidas e funcionando, a democracia estará muito vulnerável", afirmou.
Lula também voltou a criticar a disseminação de fake news e os vazamentos de informações de investigações.
"O que nós não podemos neste país é oficializar a indústria da fake news, a indústria dos vazamentos seletivos por interesses políticos ou econômicos. Se a gente não der uma parada nisso, vamos perder a credibilidade que nós queremos que a sociedade tenha na Justiça", declarou.