Brasileiro que desafia o ICE relata seu encontro com os agentes de imigração nos EUA

  • 25/01/2026
(Foto: Reprodução)
O professor brasileiro, Pedro de Abreu Gomes dos Santos, relatou, em entrevista ao podcast O Assunto desta quarta-feira (21), um encontro que teve com agentes do ICE (Immigration and Customs Enforcement, o serviço de imigração americano) em um bairro de maioria latina em Minnesota, nos EUA. No dia seguinte à morte da americana Renée Nicole Good, de 37 anos, baleada por um agente do ICE no início de janeiro, Pedro testemunhou cerca de dez agentes tentando entrar em residências. Ao vê-los, ele questionou a legalidade das abordagens -- ele é integrante de um grupo de resposta rápida às operações da agência, em defesa dos imigrantes abordados. O incidente ocorreu em um contexto de aumento das operações federais no estado, onde a presença de agentes do ICE foi ampliada drasticamente pela administração federal. "Quando um deles passou do meu lado, eu perguntei: 'Você tem o mandado de prisão ou o mandado de busca e apreensão?'". A resposta do agente foi imediata e agressiva. "A primeira pessoa que eu perguntei olhou para mim com muita raiva e perguntou: 'Você tem os seus documentos? Você pode provar que você é cidadão americano?'". Amparado pela legislação local, o professor recusou-se a apresentar a identificação, afirmando que, como cidadão, não era obrigado a fazê-lo naquela circunstância. Pedro é americano naturalizado, casado com uma americana e pai de filhos americanos. Ele leciona Ciência Política no College of Saint Benedict e na Saint John’s University. Intimidação A tensão só diminuiu com a chegada de um supervisor, embora Pedro ressalte que a "calma" era relativa. "Tivemos uma conversa muito mais calma... Calma para eles. Estava ele na minha porta do carro e seis agentes rodeando o meu carro", disse ele. Para o professor, há uma diferença entre os agentes de carreira e os novos recrutas. Ele aponta que o questionamento das ações do ICE frequentemente gera reações violentas por parte dos agentes menos treinados: "Eles ficam nervosos quando as pessoas começam a filmar porque não podem mais fazer o que estavam fazendo, que normalmente são coisas ilegais". Plano com a família O impacto dessas abordagens e o clima de vigilância constante forçaram o professor a traçar um plano de emergência com sua família. Diante da possibilidade de novos processos de desnaturalização movidos pelo governo, o que antes era impensável tornou-se uma necessidade logística, segundo ele. Pedro e sua esposa estabeleceram protocolos para enfrentar uma possível prisão ou deportação: Reserva financeira: a criação de um fundo de emergência específico para custear viagens repentinas. Prontidão de documentos: a organização de toda a documentação necessária para acesso imediato, algo que difere da rotina anterior da família. Vigilância permanente: o hábito de portar documentos de cidadania em tempo integral, uma prática que se estendeu a outros brasileiros na região. "Eu e minha esposa já começamos a conversar sobre o que fazer caso eu seja preso ou caso eu seja deportado. É realmente uma coisa que eu nunca pensei em ter que planejar", desabafou o professor. Para Pedro, o receio é agravado pelo fato de ser uma figura visível em eventos de resistência e monitoramento. Ele observa que esse sentimento de insegurança é generalizado, afetando desde brasileiros com green card até crianças da comunidade somali, que mesmo americanas natas, hoje correm para casa ao avistar veículos suspeitos nos pontos de ônibus. O que você precisa saber: PONTO A PONTO: As medidas que abalaram os EUA e o mundo MINNESSOTA: Agentes do ICE invadem casa e arrastam um homem quase nu para a neve PRISÕES E USO DE GÁS: Juíza dos EUA impõe limites às táticas de agentes de imigração contra manifestantes 'GESTAPO?': Influenciador pró-Trump compara ICE à polícia da Alemanha nazista ENTENDA: Saiba como os agentes do ICE são recrutados pelo governo Trump O próximo passo de Trump O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações. Minnesota: manifestantes se reúnem na rua onde Renee Nicole Good foi baleada e morta por um agente do ICE CHARLY TRIBALLEAU / AFP

FONTE: https://g1.globo.com/podcast/o-assunto/noticia/2026/01/25/brasileiro-que-desafia-o-ice-relata-seu-encontro-com-os-agentes-de-imigracao-nos-eua.ghtml


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