Brasil rebaixa relações com Argentina enquanto Milei mantiver ataques ao país, diz Itamaraty

  • 04/08/2026
(Foto: Reprodução)
Brasil rebaixa relação diplomática com Argentina O Brasil rebaixou o nível de relações diplomáticas com a Argentina, disse o Ministério das Relações Exteriores. O governo vai manter o embaixador brasileiro em Buenos Aires no Brasil enquanto Milei mantiver ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a outras autoridades brasileiras. O governo tomou a decisão após Milei fazer declarações contra o presidente Lula e outras autoridades do país nas últimas semanas. (Veja principais momentos de tensão) O comunicado do rebaixamento da relação foi entregue por escrito pelo Itamaraty ao embaixador da Argentina em Brasília, Daniel Raimondi. Diplomatas reforçaram que, com o rebaixamento, Raimondi não deve continuar no Brasil, mas ressaltaram que a decisão brasileira não representa uma expulsão formal. Na semana passada, durante um evento político em São Paulo para apoiar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), Milei chamou Lula de "ladrão", "corrupto", "presidiário" e "lixo socialista". A resposta do governo brasileiro foi imediata. O Palácio do Itamaraty convocou o embaixador da Argentina em Brasília, para manifestar formalmente o descontentamento do governo Lula com as declarações. Além disso, o Itamaraty chamou para consultas em Brasília o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli. O diplomata brasileiro não voltará à Argentina enquanto a crise com o governo de Milei não for resolvida. Em nota, o governo brasileiro classificou a fala de Milei o episódio como um acontecimento "sem precedentes". O chanceler Mauro Vieira afirmou que o Brasil considera o caso grave, mas descartou, por ora, medidas mais duras, como a retirada de representantes diplomáticos. Os presidentes Javier Milei e Lula REUTERS Resposta de Lula Inicialmente, Lula evitou entrar diretamente na polêmica. Questionado por jornalistas sobre Milei, respondeu com ironia: "Quem é esse cara?" Dias depois, porém, o presidente brasileiro passou a adotar um tom mais duro e classificou como uma "patacoada" a participação de Milei no evento do Partido Liberal, em São Paulo. Durante um ato do PSB, Lula também afirmou que não aceitará interferências externas no processo político do país. "Vocês viram aqui a patacoada que fez aqui o presidente da Argentina. Eu não falei nada, porque a minha relação é uma relação de chefe de Estado com o Estado. E eu gosto do povo argentino e não vou ficar trocando coisa com aquela coisa. E não adianta falar bravo, porque eu não vou ficar bravo. O cara fez cara feia eu faço cara bonita. O cara demonstra ódio eu demonstro amor", disse Lula. Veja declarações de Milei 3 de agosto de 2026 O episódio mais recente ocorreu em entrevista de Milei à emissora argentina LN+ no domingo (2). O presidente argentino voltou a atacar Lula, chamou o petista de “ladrão” e “corrupto” e afirmou que ele “não é inocente”. Milei também voltou a questionar as decisões judiciais que anularam as condenações de Lula na Operação Lava Jato. Ao defender as declarações, Milei disse que “é muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que cometer o ato de roubar” e afirmou que as falas foram “palavras espontâneas”. 27 de julho de 2026 Em 27 de julho, Milei compartilhou publicações de apoiadores com críticas a Lula. Em quatro horas, foram cinco posts sobre o petista. As publicações criticavam a atuação de Lula nas eleições presidenciais argentinas de 2023 e também relembravam a visita à ex-presidente argentina Cristina Kirchner, então em prisão domiciliar após condenação por corrupção. Também em 27 de julho, em uma entrevista a uma rádio argentina concedida em 26 de julho, o presidente argentino acusou o governo brasileiro de financiar uma suposta “campanha anti-Argentina” durante a Copa do Mundo. Milei afirmou, sem apresentar provas ou indícios, que o governo Lula teria colocado “25% dos recursos” usados na campanha. Na mesma entrevista, Milei voltou a chamar Lula de “ex-presidiário” e justificou os ataques feitos na convenção do PL como uma espécie de resposta ao que, segundo ele, teria sido a atuação de brasileiros na campanha de Sergio Massa, derrotado por Milei em 2023. “E depois vêm falar de interferência, quando eles tiveram um papel muito ativo na campanha de 2023. Ou vamos esquecer que os assessores de Massa eram um grupo de brasileiros?”, disse. 25 de julho de 2026 O ponto de maior tensão ocorreu em 25 de julho de 2026, quando Milei participou da convenção do PL que oficializou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato à Presidência da República. Em discurso no evento, o presidente argentino fez críticas ao “socialismo”, defendeu que o Brasil adotasse uma agenda de liberdade econômica e redução do Estado, e associou a candidatura de Flávio Bolsonaro a uma transformação política liberal na América Latina. Na mesma convenção, Milei chamou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, de “lixo careca” após ter negada uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Milei também se referiu a Lula como “presidiário”. 23 de julho de 2024 Em 23 de julho de 2024, Lula cobrou um pedido de desculpas de Milei e afirmou esperar que o argentino tivesse “respeito pelo Brasil”. A declaração foi dada a agências internacionais. Lula disse que não deveria ficar preocupado com o discurso de Milei, mas afirmou que a relação seria complicada se não houvesse pedido de desculpas. Durante a campanha presidencial argentina de 2023, Milei chamou Lula de “comunista” e “corrupto” em um programa de TV. No início daquele mês, em sua primeira viagem ao Brasil como presidente, Milei não teve compromissos com autoridades do governo federal e participou de um encontro conservador em Santa Catarina ao lado de Jair Bolsonaro (PL). 26 de junho de 2024 Em 26 de junho de 2024, Lula já havia cobrado que Milei pedisse desculpas ao Brasil e a ele por ter falado “muita bobagem”. A declaração foi dada em entrevista ao Uol, quando o presidente brasileiro foi questionado sobre tratativas para repatriar foragidos envolvidos nos atos terroristas de 8 de janeiro de 2023. Lula não detalhou quais falas de Milei estavam incluídas nessa cobrança. O presidente brasileiro também afirmou que não conversava com Milei porque entendia que o argentino deveria pedir desculpas ao Brasil e a ele. “Não é um presidente da República que vai criar uma cizânia entre o Brasil e a Argentina”, disse Lula. 20 de novembro de 2023 Antes mesmo da posse de Milei, integrantes do governo brasileiro já cobravam um pedido de desculpas do então presidente eleito da Argentina. Em 20 de novembro de 2023, um dia após a vitória de Milei no segundo turno, o então ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Paulo Pimenta (PT-RS), disse que o argentino havia ofendido Lula de forma “gratuita” e afirmou que ele precisava se desculpar para que houvesse uma relação entre os dois mandatários. Durante a campanha presidencial argentina, Milei chamou Lula de “comunista” e “corrupto” em um programa de TV. Após a eleição, Lula parabenizou o povo e as instituições argentinas pela conclusão do processo eleitoral, mas não citou Milei nominalmente na publicação.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/08/04/brasil-rebaixa-relacoes-com-argentina-enquanto-milei-mantiver-ataques-ao-pais-diz-itamaraty.ghtml


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