Bolsonaro depôs por 5 minutos e repetiu que queria 'consertar' arma apreendida em blitz, diz defesa
23/06/2026
(Foto: Reprodução) Jair Bolsonaro depõe sobre arma apreendida
A Polícia Civil do Distrito Federal ouviu o ex-presidente Jair Bolsonaro, na tarde desta terça-feira (23), no inquérito que apura a apreensão de uma arma registrada em nome dele durante uma blitz na semana passada.
O delegado Thiago Boeing, da 17ª Delegacia de Polícia, chegou ao condomínio onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por volta das 14h30 e saiu de lá 40 minutos depois, às 15h10.
Em nota, a PCDF informou que ex-presidente respondeu a todas as perguntas da investigação. Em razão do sigilo legal, o teor do depoimento não será divulgado.
O advogado de Bolsonaro, Paulo Cunha Bueno, acompanhou todo o depoimento.
Segundo ele, Bolsonaro falou por cerca de 5 minutos e repetiu a versão que já tinha sido apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF), de que tinha pedido ajuda a um militar da segurança presidencial por identificar que a pistola Glock 9mm não estava funcionando.
No depoimento, Bolsonaro também disse que não pediu que o militar tirasse a arma do condomínio e levasse para o conserto – e sim, que averiguasse o funcionamento da pistola.
Questionado pela GloboNews, Paulo Bueno disse avaliar que o episódio não deve impactar a decisão de Moraes sobre a prorrogação da prisão domiciliar de Bolsonaro, já que as medidas cautelares não previam a entrega das armas do ex-presidente.
Polícia Civil do DF chega à residência de Bolsonaro para ouvi-lo sobre arma apreendida em blitz
Fabiano Andrade/TV Globo
Apreensão em blitz
A pistola, registrada no nome de Bolsonaro, estava no carro de um militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) que atua na segurança do ex-presidente.
A arma foi apreendida por não estar acompanhada do certificado de registro. O caso é investigado pela Polícia Civil do DF e acompanhado pelo STF.
Investigadores ouvidos pela TV Globo apontam que, a depender dos elementos reunidos no inquérito, as condutas de Bolsonaro e do militar podem ser enquadradas em duas situações:
infração administrativa: o ex-presidente e o militar possuem porte de arma, que estava devidamente registrada, mas estava sem a documentação exigida no transporte
violação do Estatuto do Desarmamento: A lei prevê que é crime "possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar". A pena é de 3 a seis anos de prisão, além de multa.
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Apreensão em blitz
Ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar, em imagem de arquivo
WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO
A arma – uma pistola Glock 9mm – seria levada para o reparo, mas foi apreendida durante uma blitz da Polícia Militar em Brasília na última segunda-feira (15). Uma consulta ao sistema do Exército confirmou o registro no nome do ex-presidente.
Apesar de ter documentação regular, a pistola foi recolhida pela Polícia Civil porque o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) não estava no veículo. O caso é investigado pela Polícia Civil do DF.
➡️O carro era dirigido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e cedido à Casa Civil para atuar na segurança de Bolsonaro.
➡️O militar prestou depoimento e foi liberado. Ele afirmou à Polícia Civil que a arma estava sendo transportada porque precisava passar por reparos, e seria devolvida em seguida ao ex-presidente.
🔎 Bolsonaro cumpre atualmente uma pena de 27 anos e 3 meses de prisão. Desde o dia 24 de março deste ano, ele está sob prisão domiciliar humanitária, autorizada por Moraes por um prazo inicial de 90 dias, para que o ex-presidente se recupere de uma broncopneumonia.
O que a defesa de Bolsonaro já disse?
Em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa de Bolsonaro afirmou que a própria equipe de segurança tinha deixado a arma de fogo inoperante para evitar riscos, frente às condições de saúde mental do político.
"[...] as medicações psiquiátricas que vinham sendo ministradas ao Peticionário [Jair Bolsonaro], capazes de afetar sua cognição — e que, inclusive, foram determinantes no episódio do rompimento da tornozeleira eletrônica —, levaram sua equipe de segurança, sem seu conhecimento prévio, a retirar o percussor da arma, tornando-a inoperante."
➡️Em 22 de novembro de 2025, durante outro período de prisão domiciliar, Bolsonaro tentou violar a tornozeleira eletrônica usando um ferro de solda. Na época, Bolsonaro alegou alucinação e "certa paranoia" possivelmente provocadas pelo uso de remédios.
Ainda segundo a defesa, Bolsonaro manipulou a arma, testou o disparo e constatou que "o mecanismo não estava funcionando regularmente".
E, por isso, pediu que um dos militares que atuam na sua segurança pessoal levassem a pistola para o conserto.
"A entrega do armamento teve por única finalidade buscar auxílio na identificação da falha e a realização da necessária manutenção", diz a defesa.
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