As novas (e avançadas) armas que podem determinar o rumo da guerra entre Rússia e Ucrânia, que completa 4 anos

  • 17/02/2026
(Foto: Reprodução)
Drones e outras armas avançadas vêm sendo cada vez mais usadas ao longo da guerra Getty Images via BBC Os combates continuam sem previsão de término, enquanto a invasão da Ucrânia pela Rússia se aproxima de completar quatro anos, no dia 24 de fevereiro. Na quinta-feira passada (5/2), uma nova rodada de negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia, mediada pelos Estados Unidos em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, terminou sem fazer avanços. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Enquanto a diplomacia aparentemente faz poucos progressos, teriam surgido novas armas que poderiam mover a balança em favor de um dos dois lados? Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Novos mísseis: Flamingo vs. Oreshnik Os dois exércitos, russo e ucraniano, fazem uso de mísseis balísticos e de cruzeiro. Alguns deles são novos e experimentais. Os mísseis balísticos viajam em um arco razoavelmente previsível, mas podem ser detectados pelo radar durante o trajeto. Já os mísseis de cruzeiro viajam em baixa altitude, mais perto do solo, e é mais difícil rastreá-los. A Ucrânia depende muito dos mísseis fornecidos pelos seus parceiros do Ocidente. O país já lançou em direção ao território russo os mísseis balísticos ATACMS, de fabricação americana, e os mísseis Storm Shadow/Scalp, desenvolvidos em conjunto pela França e pelo Reino Unido. Mas a Ucrânia vem ampliando sua indústria de armas doméstica. Os ataques profundos são considerados uma parte fundamental desta guerra. Para isso, a Ucrânia usa principalmente drones de longo alcance, segundo o repórter de defesa da BBC Jonathan Beale. Os ucranianos continuam perdendo terreno para a Rússia em uma linha de frente que se estende por mais de mil quilômetros. Por isso, a Ucrânia tenta atacar cada vez mais a economia de guerra da Rússia para retardar estes avanços, explica Beale. Desenvolvido pela companhia de defesa ucraniana Fire Point, o míssil de cruzeiro Flamingo representa um avanço importante na produção doméstica de armas de Kiev. É o tipo de arma de ataque profundo que as nações ocidentais relutam em fornecer, segundo Beale. Ele pode atingir alvos a 3 mil quilômetros de distância, viajando em velocidades de até 900 km/h. E carrega uma ogiva de 1.150 kg. Isso significa que o Flamingo pode atingir alvos estratégicos russos muito além do alcance dos drones ou armas de alcance mais curto, como o míssil Netuno. Seu alcance é similar ao de um Tomahawk americano, uma arma mais cara e sofisticada, que o presidente americano Donald Trump se recusou a oferecer à Ucrânia. Por ser produzido pelo próprio país, a Ucrânia pode disparar o Flamingo contra qualquer alvo que desejar. Ele não está sujeito às restrições dos seus aliados ocidentais em relação ao combate às forças invasoras da Rússia. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, descreveu o Flamingo como um dos mísseis mais bem sucedidos do seu país. Mas poucos detalhes foram publicados sobre seu uso em combate. Paralelamente, a Rússia desenvolveu o Oreshnik, um novo míssil com alcance de até 5,5 mil quilômetros. Ele se destaca em relação a outros mísseis balísticos devido à sua velocidade. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou em 2024 que ele poderia atingir 2,5 a 3 km por segundo — o que faz com que interceptar o Oreshnik seja muito mais difícil para a Ucrânia. Até agora, a Rússia empregou o Oreshnik duas vezes durante a guerra. A primeira vez em novembro de 2024, durante um ataque à cidade de Dnipro, na região central da Ucrânia, e novamente em Lviv, no oeste do país, em janeiro de 2026. Acredita-se que ele tenha uma ogiva que se fragmente deliberadamente durante sua descida final, em diversos projéteis com alvos independentes, causando repetidas explosões distintas, com pouco tempo de diferença entre si. Diplomacia discute paz na Ucrânia e programa nuclear iraniano Jatos de combate: F-16 vs. Sukhoi Estimativas indicam que a Ucrânia recebeu aproximadamente a metade dos cerca de 90 caças F-16 prometidos pelos países da Otan, incluindo a Bélgica, Dinamarca, Holanda e Noruega. Eles são considerados versáteis, de fácil manutenção e capazes de carregar quase qualquer arma padronizada nos países da Otan e nos Estados Unidos. O F-16 entrou em serviço pela primeira vez nos Estados Unidos em 1978. Muitos exércitos ocidentais estão em processo de aposentar os velhos caças e substituí-los pelo F-35, de fabricação americana, lançado em 2015. Ainda assim, ele representa um importante avanço para a pequena força aérea ucraniana, que vem usando o jato soviético MiG-29, dos anos 1970, como uma das suas principais aeronaves de combate. Um piloto de jato ucraniano compartilhou na televisão nacional sua admiração ao ver o caça pela primeira vez. "O F-16, em comparação com os aviões que pilotamos agora, é como um smartphone ao lado de um antigo telefone celular de botões", afirma ele. O F-16 é principalmente empregado para fortalecer as defesas aéreas e realizar ataques em terra com precisão. E foi utilizado com grande sucesso, segundo o testemunho de pilotos ucranianos. Durante uma missão de combate em dezembro passado, por exemplo, um piloto ucraniano derrubou seis mísseis de cruzeiro russos, segundo as forças aéreas da Ucrânia. Estas missões aéreas de combate defensivo são uma das principais funções dos jatos F-16 na Ucrânia, ainda hoje. O ponto forte da moderna frota de aviões de combate da Rússia é a família de aeronaves Sukhoi — Su-30, Su-34 e Su-35, sem falar no jato Su-57 de quinta geração, embora ainda não esteja em produção em massa, segundo a BBC News Rússia. Os Sukhois possuem radares modernos e mísseis ar-ar de longo alcance, como o R-37, que tem alcance declarado de mais de 200 km, pode carregar um míssil grande e uma carga de bombas e também voar por distâncias significativamente maiores que o MiG-29 e o F-16. A força aérea russa é a segunda mais poderosa do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo o World Directory of Modern Military Aircraft ("Diretório mundial de aeronaves militares modernas", em tradução livre). E, em termos do número total de aeronaves de combate, a Rússia detém esmagadora vantagem sobre a Ucrânia. As aeronaves russas raramente adentram profundamente em território ucraniano, se é que já o fizeram, por medo de serem derrubadas pelos sistemas de defesa fornecidos pelo Ocidente, como o Patriot. No atual conflito, combates aéreos clássicos ocorrem com extrema raridade, segundo Ilya Abishev, da BBC News Rússia. Normalmente, os dois lados usam suas aeronaves para ataques em terra, com mísseis e bombas planadoras de longa distância, sem entrar na zona coberta pelas defesas aéreas inimigas, segundo ele. E quanto aos drones? Drones vêm sendo utilizados extensamente ao longo de toda a guerra, para vigilância, ataques e lançamento de mísseis, além de servirem de armas kamikaze. A Ucrânia, agora, é uma das líderes no desenvolvimento de sistemas não tripulados, como robôs e drones, segundo Jonathan Beale. Calcula-se que o país produza anualmente cerca de quatro milhões de drones, segundo noticiou a agência Bloomberg em novembro do ano passado. Durante a Operação Teia de Aranha, no ano passado, mais de 110 drones ucranianos de visão em primeira pessoa (FPV, na sigla em inglês) invadiram a Rússia e atacaram mais de 40 bombardeiros estratégicos. Foi um testemunho da bem sucedida estratégia de drones da Ucrânia. A Ucrânia também usa drones de combate na linha de frente e drones navais no mar, que ajudaram a afundar diversos navios de guerra russos. Alguns drones de fabricação ucraniana, como o FP-1 e o FP-2, são de fabricação rápida e barata. O FP-1 pode ingressar na Rússia e chegar até Moscou. A Ucrânia também utiliza drones disparadores de mísseis Bayraktar TB2, fornecidos pela Turquia no início do conflito, além de drones kamikaze da Switchblade, fornecidos pelos Estados Unidos, e drones de vigilância comerciais, como o DJI Mavic 3, de fabricação chinesa. Paralelamente, o Kremlin está tentando aumentar a produção de drones de ataque de baixo custo, para atingir dezenas de milhares de unidades por ano, segundo a BBC News Rússia. Em novembro, a Rússia anunciou a formação das Forças de Sistemas Não Tripulados, um novo comando que irá supervisionar seu programa de drones, conforme noticiou a agência de notícias russa Tass. Isso indica que o desenvolvimento de drones, agora, é prioridade na sua estratégia de defesa, segundo Ilya Abishev. Notícias publicadas pela imprensa russa em 2025 indicam nomes de drones em desenvolvimento, como Artemis-10, Tukiv, Sirius e muitos outros. Eles foram descritos como os mais modernos, prontos para produção em massa. Mas não há relatos do seu uso em condições reais de combate. O mais provável é que, na verdade, a quantidade de novos tipos de drones empregados pelo exército russo não seja tão grande assim, segundo a BBC News Rússia. Por todo o ano de 2025, a Rússia continuou a modernizar os drones já em serviço, como o drone tático Molniya-2, usado como kamikaze. Anteriormente, a Rússia importou do Irã um tipo conhecido como drone Shahed. Mas, agora, o país produz sua própria versão, o Geran 2. Como o Shahed, ele tem asas e é frequentemente usado para ataques kamikaze. Os drones Geran são comumente empregados para ataques de longo alcance contra cidades ucranianas, redes de transporte e infraestrutura civil e militar. A Rússia ainda produz cerca de 3 mil desses drones por mês e estudos do Instituto de Ciência e Segurança Internacional, com sede em Washington, nos Estados Unidos, indicam que o país lançou, em média ,175 drones do tipo Shahed por dia, durante o verão e o outono de 2025 no hemisfério norte. Uma questão que pode afetar os dois lados é a conectividade. Alguns drones dependem de links de satélite para sua navegação. Elon Musk tentou recentemente impedir que a Rússia usasse seus satélites Starlink para ataques com drones. Autoridades ucranianas afirmam que esta medida "teve resultados reais". O sistema de satélites da Rússia (o Sistema Espacial Gazprom) é muito mais limitado que a Starlink, segundo Ilya Abishev, da BBC News Rússia. Isso significa que ele nem sempre consegue estar disponível em condições de batalha. Outras opções, como drones conectados a cabos de fibra óptica ou o uso de transmissões de rádio, apresentam alcance mais curto e são menos eficazes e confiáveis, além de terem custo mais alto, explica Abishev. Quais outras armas avançadas poderão fazer diferença no futuro? A inteligência artificial passou a ser um novo front na corrida tecnológica entre a Rússia e a Ucrânia. Novas armas que empregam inteligência artificial poderão mudar a situação no campo de batalha, segundo Oleh Chernysh, da BBC News Ucrânia. O ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov, afirma que este desenvolvimento já começou. Mas ainda não existe nenhuma arma pronta que empregue IA com eficácia. Se este avanço for bem sucedido, a eficiência até mesmo de drones pequenos aumentará rapidamente, segundo Chernysh. A BBC News Rússia afirma que o Kremlin também está desenvolvendo drones com ataques autônomos e inteligência artificial. Com colaboração de Dominic O'Keeffe.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/02/17/as-novas-e-avancadas-armas-que-podem-determinar-o-rumo-da-guerra-entre-russia-e-ucrania-que-completa-4-anos.ghtml


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