Após destruir pontes, Israel diz que assumirá o controle de área no sul do Líbano; MAPA mostra locais atacados
24/03/2026
(Foto: Reprodução) Israel ataca ponte estratégica no sul do Líbano; veja VÍDEO
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, falou nesta terça-feira (24) que o país vai estabelecer uma "zona de segurança" no sul do Líbano após destruir pontes sobre o rio Litani. Segundo ele, as estruturas eram utilizadas pelo Hezbollah.
Além disso, os militares israelenses vão controlar as pontes remanescentes na região, anunciou Katz.
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“Todas as cinco pontes sobre o rio Litani que o Hezbollah usava para transportar terroristas e armas foram destruídas, e as Forças de Defesa de Israel controlarão as rotas restantes na zona de segurança até o Litani", afirmou Katz em reunião de gabinete do Exército.
O ministro israelense acrescentou ainda que os moradores do sul do Líbano que deixaram suas casas não devem retornar: "Não retornarão ao sul do Rio Litani até que a segurança dos moradores do norte de Israel seja garantida”, afirmou.
Mapa mostra pontes destruídas por Israel no sul do Líbano em meio a guerra contra o Hezbollah em março de 2026.
Lara Bernardino/Arte g1
Operação por terra
Israel realiza uma operação terrestre no sul do Líbano desde o início do mês contra o grupo terrorista Hezbollah. No final de semana, tropas israelenses começaram a demolir pontes sobre o rio Litani, que conectam uma faixa de 30 km no sul do Líbano ao restante do país.
A fala de Katz em "zona de segurança" representa uma escalada ainda maior na operação terrestre e aumenta os temores de que uma invasão em larga escala pode estar por vir. No final de semana, o governo libanês acusou Israel de querer criar uma "zona-tampão" no sul do país
O Hezbollah afirmou à agência de notícias Reuters nesta terça-feira que o grupo vai lutar para impedir que Israel crie uma "zona-tampão" na região e disse que a ocupação israelense no sul do Líbano é uma "ameaça existencial" ao Estado libanês.
➡️ Contexto: O anúncio remete os libaneses a 1982, quando, no contexto da guerra civil, Israel invadiu toda a região. O exército israelense manteve uma zona-tampão entre 10 e 20 km de profundidade até sua retirada completa em 2000, sob pressão do movimento pró-Irã Hezbollah.
Tanque e blindados israelenses posicionados do lado israelense da fronteira entre Israel e o Líbano em meio a escalada bélica contra o grupo rebelde Hezbollah em 10 de março de 2026.
REUTERS/Amir Cohen
O ministro israelense voltou a acusar nesta terça o governo do Líbano de não cumprir o compromisso que havia firmado para desarmar o Hezbollah, que isso justificaria a "zona de segurança" no território libanês para garantir a segurança dos cidadãos israelenses no norte do país.
'Zona-tampão'
"Zona-tampão" é um termo bélico para denominar uma faixa de território criada para separar forças hostis e reduzir a chance de confronto direto entre elas. É usada como uma área de contenção entre duas frentes de combate.
O rio Litani, que cruza o Líbano quase inteiramente de leste a oeste, é importante na guerra entre Israel e o Hezbollah porque uma resolução da ONU de 2006, criada para estabelecer outro cessar-fogo, determinou que o grupo terrorista deveria se retirar de áreas no sul do Líbano e utilizou o rio como referência. Israel acusa o Hezbollah de não cumprir a resolução.
Ataque israelense contra ponte em Qasmiyeh, no Líbano
Reuters/Amr Abdallah Dalsh
'O que eu fiz para merecer?'
Desde que o Hezbollah, apoiado pelo Irã, arrastou o Líbano para a guerra regional, Israel realizou centenas de ataques no país vizinho, que, segundo as autoridades, causaram mais de mil mortes e deslocaram mais de um milhão de pessoas.
Nesta terça-feira (24), bombardeios israelenses mataram cinco pessoas no sul do país e outras três em uma área residencial perto de Beirute.
"Minha casa foi completamente destruída. Não sobrou nada, tudo queimou", disse Abbas Qasem, de 55 anos, à AFP. Um apartamento vizinho foi alvo de um ataque em Bchamoun, a sudeste de Beirute.
"O que eu fiz para merecer? Sou apenas uma pessoa comum", acrescentou, chorando, assim como sua esposa, ao descobrir a devastação em seu apartamento.
Nesse ataque específico, uma menina de quatro anos morreu e outras quatro pessoas ficaram feridas, segundo o Ministério da Saúde.
Bchamoun não é um reduto do Hezbollah.