Após derrota para Flávio, Lula vai defender soberania nacional e avalia contato direto com Trump

  • 29/05/2026
(Foto: Reprodução)
Valdo: Lula vai defender soberania nacional e avalia contato direto com Trump Surpreendido pela decisão do governo Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não gostou da medida e pretende fazer uma defesa da soberania nacional. Lula também avalia fazer um telefonema para conversar diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o assunto. Auxiliares do presidente brasileiro entendem que Trump pode não ter participado diretamente da formulação da medida, e que a decisão foi influenciada pela ala mais radical do governo norte-americano. Além disso, o Planalto quer articular uma cooperação com os Estados Unidos voltada ao combate ao crime organizado. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Na Casa Branca, Lula e Donald Trump discutem terras raras, crime organizado e comércio Jornal Nacional/ Reprodução De todo modo, o petista entende que a decisão representa que o governo americano pode ter tomado partido de Flávio Bolsonaro (PL). O senador e pré-candidato à Presidência esteve na Casa Branca nesta semana e defendeu junto a Trump a adoção da medida. Para a equipe de Lula, Trump deveria ter negociado ou pelo menos avisado o governo brasileiro antes que seu Departamento de Estado, chefiado por Marco Rubio, anunciasse a decisão. O Itamaraty e o Ministério da Justiça foram surpreendidos com a publicação. A forma como a medida foi divulgada desagradou o presidente e foi avaliada como uma sinalização de que Trump pode tentar dar apoio a Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral. Governo quer Trump neutro O governo brasileiro busca uma neutralidade de Trump no processo eleitoral, mas sabe também que pode explorar politicamente um eventual apoio do americano ao filho de Bolsonaro. Afinal, a imagem de Trump junto à população brasileira é muito negativa. O presidente passou a noite de quinta-feira (28) em contato com integrantes da cúpula do governo para discutir a resposta do Brasil à decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos envolvendo o PCC e o Comando Vermelho. Na linha do que Celso Amorim, seu assessor internacional, divulgou, a orientação dentro do Palácio do Planalto é a seguinte: cooperação, sim; intervenção, jamais. Lula conversou nesta quinta-feira com o chanceler Mauro Vieira, com o número 2 da Assessoria Especial da Presidência, Audo Faleiro — já que Celso Amorim está retornando da Rússia —, com o ministro da Justiça, Wellington César, e com o ministro da Fazenda, Dario Durigan. A maior parte das conversas ocorreu por telefone. Ao Ministério da Justiça, Lula determinou um levantamento sobre os prejuízos que a medida norte-americana pode trazer à cooperação entre os países no combate ao crime organizado. Já a Durigan, o presidente pediu um estudo rápido sobre os possíveis impactos econômicos da decisão anunciada pelos EUA. Apesar da mobilização no Planalto, o governo ainda não definiu se fará uma manifestação oficial nesta sexta-feira (29) ou se aguardará mais alguns dias. Integrantes do governo afirmam, porém, que já existem ao menos duas versões de nota prontas, aguardando apenas o aval do presidente. A equipe de comunicação do presidente também defende que Lula trate do tema publicamente ainda nesta sexta, durante evento em Sergipe, mantendo o foco na defesa da soberania brasileira. Críticas à decisão sem defender facções Nos bastidores, auxiliares de Lula discutem como adotar um tom duro contra a ação norte-americana sem transmitir a imagem de defesa das facções criminosas. A avaliação da área de comunicação é que existe uma “linha tênue” na percepção da opinião pública. Uma das estratégias em discussão é concentrar o discurso nas consequências econômicas e diplomáticas da medida, numa tentativa de atrair apoio do mercado financeiro e de setores empresariais às críticas do governo brasileiro. Segundo interlocutores, já está definido que a reação do governo terá como eixo central a defesa da soberania nacional, repetindo o discurso adotado pelo Planalto durante o episódio do tarifaço anunciado pelos Estados Unidos.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/blog/valdo-cruz/post/2026/05/29/lula-vai-defender-soberania-nacional-sem-defender-faccoes-e-avalia-contato-direto-com-trump.ghtml


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